Coletivo Negro da UNESP comanda atividade sobre violência e racismo no Centro Afro – Araraquara News

Coletivo Negro da UNESP comanda atividade sobre violência e racismo no Centro Afro

A programação da Coordenadoria Executiva de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (CEPPIR) e do Centro de Referência Afro Mestre Jorge, por meio da Secretaria de Desenvolvimento e Participação Popular, nesta quinta (11), às 19 horas, realiza “Diálogos sobre o racismo e violência”, com o Coletivo Abisogun.

O Abisogun – que tem como significado “nascido em tempo de guerra” – é um coletivo horizontal composto por estudantes negros e negras da UNESP-Araraquara, e teve sua formação no inicio de 2014 a partir da necessidade de encontrar um grupo de discussões acerca da questão racial e um espaço de acolhimento. O coletivo nasceu no primeiro ano após a inserção da política de ação afirmativa, ano em que esse campus começou a escurecer, demandando novas pautas e discussões. A partir da existência deste coletivo também aconteceram cobranças desnecessárias por parte de outros grupos políticos inseridos nesse campus.

“Nenhuma Luana” – Para o “Diálogos sobre o racismo e violência”, o coletivo junto ao Coletivo Luana Barbosa dos Reis, de Ribeirão Preto, apresenta o evento “Nenhuma Luana a Menos” com o objetivo de relembrar o caso Luana, que completou um ano no último mês de abril, discutindo a violência policial e a negligência do Estado diante da população preta.

“A proposta é uma mesa temática seguida do Sarau das Benditas, com a finalidade de reconstruir nossas narrativas nos imaginários comuns, dividir nossas dores, partilhar sentimentos, estabelecendo um encontro para fortalecer nossas almas e enfrentar a luta diária contra o racismo, machismo e lgbtfobia”, aponta Joelma Antunes, membro do Coletivo Abisogun desde 2014, idealizadora do Sarau das Benditas, graduanda em Ciências Sociais, pesquisa Imagens e Representações do Negro e do Indígena em livros didáticos de história.

Vale lembrar que em 08 de abril do ano passado, Luana Barbosa dos Reis, 34 anos, mulher negra, mãe e lésbica, foi espancada pela Polícia Militar, em um “enquadro” em Ribeirão Preto. Após cinco dias, ela veio a falecer por isquemia cerebral causada pelo traumatismo craniano.

“A campanha ‘Nenhuma Luana a Menos’ veio então com o objetivo de denunciar o caso, expor a violência sistêmica contra a população negra, exigir justiça e paz pros nossos corpos. Foi encampada por todo movimento negro com atos e manifestações em diversas localidades”, pontua Thayna Lemos, membro do Coletivo Abisogun desde 2016, idealizadora do Sarau das Benditas, graduanda em Administração Pública, coordenadora administrativa do CUCA (Curso Unificado do Campus de Araraquara), construiu junto ao Núcleo Impulsor das Mulheres Negras de SP a Marcha das Mulheres Negras que aconteceu em Brasília em 2015.

Outros casos – Outros casos de violência também deverão vir à tona com a realização da mesa, como por exemplo, o caso de Cláudia Silva Ferreira, 38 anos, mulher negra, mãe de quatro filhos e cuidava de quatro sobrinhos, que em 2014 morreu baleada em uma troca de tiros no Rio de Janeiro e arrastada pela Polícia Militar por 250 metros quando ia até a padaria comprar pão. Até o ano passado os culpados pela tragédia estavam impunes. Ou ainda, o caso de Rafael Braga, único brasileiro preso nas manifestações de junho de 2013, acusado de carregar materiais explosivos, quando em sua mochila havia somente um frasco de Pinho Sol. Agora foi acusado de tráfico e associação ao tráfico, condenado a 11 anos e 3 meses de prisão e pagamento de multa de R$ 1687,00.

“Dada a periodicidade e a incidência contínua desses eventos, a atividade propõe um debate amplo entre a sociedade para que consigamos através da visibilidade fazer com que situações como estas não venham mais acontecer e que caso aconteçam não passem ‘em branco’, ou seja, impunes. A entender também que estas pautas devem ser sensíveis a população devido a sua urgência e debatidas constantemente”, observa Aline Rocha, membro do Coletivo Abisogun desde 2014, idealizadora do Sarau das Benditas, graduanda em Ciências Sociais, membro do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência) de Sociologia, pesquisadora com enfoque na Questão Racial.

“Desta forma, convidamos a todas e todos para que compareçam ao Centro de Referência Afro Mestre Jorge dada importância deste espaço na cidade, dialoguem para que possamos multiplicar debates sobre a questão racial e participem deste evento”, finalizam as participantes do coletivo.

“Diálogos sobre o racismo e violência” será realizado no Centro de Referência Afro Mestre Jorge, localizado à Avenida Feijó, 223, no Centro de Araraquara. O evento será gratuito e aberto a todos interessados.

SERVIÇO:

“Diálogos sobre o racismo e violência”, com o Coletivo Abisogun

Local: Centro de Referência Afro Mestre Jorge

Data: quinta-feira (11/05)

Horário: 19 horas

Grátis

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