Os cuidados com a saúde mental nas empresas é tema de destaque durante o mês de abril em várias agendas, afinal, devido ao dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, 28, visando promover o bem-estar individual e de uma atmosfera de trabalho saudável, uma vez que a produtividade e o sucesso corporativo estão diretamente ligados à sustentabilidade mental dos colaboradores.
Nos últimos anos, a quantidade de profissionais afastada do trabalho, devido à condição da saúde mental, cresceu. Os dados do Ministério da Previdência Social, de 2022 para 2023, apontou um aumento de 38%, passando de 209.124 mil benefícios para 288.865.
A verdade é que essas informações não são surpreendentes, destacando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o Brasil o país mais ansioso do mundo, com aproximadamente 9,3% da população sofrendo desse mal. Os brasileiros também seriam os mais depressivos na América Latina, correspondendo a mais de 11 milhões.
O crescimento é tão notável, que o Ministério da Saúde anunciou uma atualização na lista de doenças ocupacionais, ou seja, relacionadas ao trabalho. Mais de 165 patologias foram adicionadas, incluindo a ansiedade, depressão, tentativas de suicídio e a síndrome de burnout, todas, ligadas ao aspecto psicológico.
Assim, a pesquisadora e advogada do escritório Vasconcelos Rodrigues de Oliveira Advogados Associados, Maria Inês Vasconcelos, explica que os acometidos pelo problema passaram a possuir uma série de direitos, previstos na Constituição. Alguns deles são o acesso a tratamento médico e até indenizações aplicadas pelo judiciário, porque o esgotamento mental pode acabar de maneira definitiva com a carreira profissional, impedindo de se retomar as atividades, devido ao sofrimento e perdas que esses quadros provocam.
A produtividade está diretamente ligada ao alinhamento mental e à qualidade do ambiente laboral, refletindo no bem estar individual e coletivo, contaminando todos com desesperança, baixa autoestima e insegurança. Por isso, quando a paz, gestão humanizada, sistema de avaliação e feedbacks saudáveis, direito ao descanso e a valorização dos funcionários acontece, tudo parece funcionar melhor, elevando os resultados e, consequentemente, a lucratividade.
As empresas estão cientes do problema, e cada vez mais, têm investido em seu capital humano com práticas consistentes, ligadas à preservação da saúde de seus colaboradores, deixando para trás a desatenção, coisificação da mão de obra e a exploração psicológica. As ações envolvem treinamentos, palestras, oficinas e atividades para reduzir o estresse e a gerenciar melhor o desequilíbrio emocional.
Uma atmosfera de trabalho mais saudável e produtiva é o melhor meio para conter os afastamentos e aposentadorias precoces. Para Maria Inês, a adoção de práticas sustentáveis para restringir a doença mental é um dos maiores ganhos para as empresas. A expectativa é que abril seja uma oportunidade para reverberação dessa consciência, porque a mente é sempre a maior commodities dos trabalhadores.