A demanda por atendimento para cuidados com a saúde mental cresce paulatinamente. As estatísticas em Belo Horizonte apontam elevação na busca por Centros de Referência em Saúde Mental (Cersams) de 106%, entre 2019 e 2022. O poder público precisa se adaptar, urgentemente, a essa necessidade da população por especialistas.
Para se ter uma ideia, a expectativa é que mais de 500 mil crianças e jovens e, 800 mil adultos precisam desse atendimento, anualmente. Contudo, enfrentam problemas, como a falta de espaços adequados e, principalmente, o baixo número de especialistas disponíveis para lidar com todas as demandas.
A PHD em neurociência, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, lembra que, lamentavelmente, por muitos anos, a ação de fazer terapia ou consultar um psiquiatra e tomar medicamentos prescritos por ele, seriam atos realizados por “pessoas loucas”. Afinal, sempre foi grande o desconhecimento sobre como uma saúde mental abalada está diretamente ligada à uma queda na qualidade de vida.
Ao descobrir a causa de suas dificuldades, os adultos querem entender os efeitos do transtorno, como por exemplo, porque agem de uma determinada maneira ou possuem atitudes específicas. Felizmente, os pais também estão se mostrando mais receptivos em conhecer as características do distúrbio, procurando ajuda e facilitando o desenvolvimento da criança.
Ângela afirma que a população está finalmente entendendo que o cérebro é um órgão como qualquer outro e, devido a sua importância, também requer uma atenção e cuidado especiais. Afinal, enfrentar diferentes problemas diários é comum, porém, poucos conseguem, realmente, ter inteligência emocional para lidar com essas questões de maneira ideal, sem afetar completamente o modo de viver ou atingir outros indivíduos, apenas porque está frustrado com o andamento de sua vida.