O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é sempre um dos momentos mais esperados pelos inscritos. O foco deste ano foi nas “Perspectivas acerca do envelhecimento da sociedade brasileira”, uma temática com abertura de espaço para análise sobre a qualidade de vida e saúde mental dos idosos com índice crescente de suicídio.
A terceira idade é essencial nos debates atuais, afinal a população brasileira está envelhecendo cada vez mais. O Censo de 2022 apontou que 10,9% dos brasileiros possuíam 65 anos ou mais, uma alta de 57,4%, em relação à 2010. O motivo está diretamente ligado à evolução da medicina, proporcionando melhores alternativas para tratamentos, inclusive, reduzindo a mortalidade infantil e com a melhoria de saneamento, nutrição e estilo de vida.
Entretanto, mesmo com o crescimento da longevidade e a queda da natalidade de brasileiros, pouco ainda se discute sobre a qualidade de vida de quem já está ou entrará na melhor idade. A ideia de centenas deles é, após cumprir as obrigações de trabalho e familiares, aposentar e viver tranquilamente, aproveitando o convívio com os parentes e merecidas “férias” permanentes. Lamentavelmente, o fato é que essa situação nem sempre acontece.
Segundo a PHD em neurociências, psicopedagoga e professora, Ângela Mathylde Soares, é importante entender que os idosos sofrem com uma série de transtornos, como a depressão, ansiedade e demência, provocando um declínio cognitivo comprometedor da autonomia e bem-estar. Os números do IBGE com a “Pesquisa Nacional de Saúde”, realizada em 2019, revelam que, até 13% dos participantes, entre 60 e 64 anos, convivem com a depressão, transtorno mental - comumente ligado a jovens - que, na verdade, está afligindo, notadamente, a parcela mais velha da população.
Outro alerta está nas estatísticas sobre o suicídio, ocorrência que está se tornando comum entre os mais velhos. O Ministério da Saúde alerta que a taxa entre pessoas com mais de 70 anos costuma ser maior que a média nacional - 8,9 por cem habitantes, contra 5,5 por 100 mil.
Para Ângela, a explicação está relacionada às vivências, uma vez que os idosos estão vivendo isoladamente. A situação propicia o surgimento da depressão, elevando os sentimentos de solidão, diminuindo o interesse por interações sociais e agravando as doenças pré-existentes.
O afastamento e isolamento também decorrem de uma saúde debilitada e limitadora de ações. O fim da liberdade e início da dependência incomodam os mais velhos ao provocar a sensação de serem um fardo, “atrapalhando” o cotidiano dos entes queridos.
A vida não se torna mais fácil com a eventual liberdade conquistada. Mesmo com a aposentadoria, milhares de idosos seguem trabalhando, uma vez que o dinheiro não é suficiente para cobrir as despesas, ou, pelo simples desconforto com o ócio.
Os desafios diários enfrentados pela melhor idade ainda são muitos. Contudo, os cuidados permitem uma fase mais agradável e prazerosa. “A família deve estar mais presente e atenta às necessidades” afirma a especialista. Caso seja necessário, os filhos precisam buscar alternativas para garantir uma melhor qualidade de vida, como o acompanhamento psicológico.
Comentários: