O câncer acomete qualquer órgão do corpo, até mesmo os olhos, inclusive, provocando o chamado retinoblastoma. A imprensa está divulgando o caso de uma mãe nos Estados Unidos que descobriu esse tipo raro de tumor ocular infantil em seu bebê de seis meses, acompanhando o filho pelas imagens da babá eletrônica. Ela divulgou a ocorrência nas redes sociais e o fato ganha cada vez mais espaço.
Ela informou que um dos olhos do filho estava com um brilho diferente, branco, enquanto o outro estava normal. A princípio, acredito que pudesse ser um problema da câmera, mas, a avó também notou que o olho do neto ficava turvo, de acordo com determinadas luzes direcionadas a ele. Preocupada, a família consultou um pediatra e, posteriormente, receberam o diagnóstico do câncer.
O retinoblastoma é considerado um tipo raro de câncer e requer muita atenção por acometer crianças, até os 3 - 5 anos, ou lactentes. Os dados do Ministério da Saúde apontam cerca de 400 ocorrências por ano, representando 4% dos casos de câncer infantil.
A diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, explica que a patologia afeta parte da retina e, ao incidir luz em direção à pupila, o reflexo da luz se torna branco, em vez de avermelhado, como é esperado. Para se ter uma ideia, ficar com os olhos vermelhos em uma foto tirada com flash é considerado normal, sendo comum, principalmente, usando uma câmera analógica, porém, os olhos brilhando (no chamado olho de gato) ou muito escuros, não é comum.
Alguns sintomas oculares indicam a condição, como o desvio do olho de sua posição normal – chamado de estrabismo, o ato de aproximar os objetos excessivamente dos olhos, olhos vermelhos, lacrimejamento, perda da transparência ocular, inchaço ao redor dos olhos e, principalmente, em casos de doenças concomitantes, como diabetes e artrite idiopática juvenil, entre outras.
O retinoblastoma é dividido em duas categorias, hereditária ou não. Aproximadamente 40% dos casos são hereditários, ou seja, passados pelos familiares e, geralmente, são bilaterais. Em dois terços das ocorrências, apenas um olho é afetado, no outro terço, os tumores são bilaterais.
O caso brasileiro mais notável é o da filha do jornalista e apresentador Thiago Leifert, Lua, diagnosticada aos 11 meses, com o tipo bilateral, já considerado avançado. Atualmente, ela está com quase três anos e segue em tratamento.
O diagnóstico começa em consultório oftalmológico com o exame de fundo do olho, envolvendo outros métodos, como a ultrassonografia ou ressonância magnética. O tratamento depende das características com o tipo da patologia e grau de avanço.
Juliana alerta que a gravidade pode impedir enxergar com o olho ou o risco de o tumor avançar pelo corpo, destacando a necessidade de uma cirurgia para retirada do globo ocular. Em casos selecionados, pode-se tentar laserterapia, crioterapia (em que uma pequena sonda é usada para congelar e destruir o tumor), quimioterapia e radioterapia, podendo ser combinados para melhor resultado.