A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, desde maio, o mundo não vive mais uma pandemia, contudo o Covid ainda assombra milhares de pessoas. Minas Gerais registrou um aumento de 31% no número de casos confirmados, com mais de 20 mil diagnósticos. A situação é alarmante e requer atenção, mesmo após mais de três anos do alastramento, desenvolvimento de vacinas e redução do contágio.
O Covid já é muito conhecido pela diversidade de problemas causados, principalmente entre quem precisa passar pela internação e as complicações durante e após a infecção, em todo o corpo.
Entretanto, mesmo após todo esse tempo, diversos estudos ainda buscam o entendimento sobre os efeitos para a saúde. Os mais conhecidos envolvem os problemas respiratórios, fadiga e a perda do olfato ou paladar, não sendo exclusivos. Os resultados surpreendentes também apontam que a visão, um dos cinco sentidos, de extrema importância, é afetada.
Uma pesquisa, divulgada pela Escola Paulista de Medicina, revelou que cerca de 25% dos pacientes graves de covid, internados em UTI no Hospital Municipal de Barueri e do Hospital São Paulo, apresentaram sequelas oculares, após a cura. Os relatos indicam que os sintomas mais comuns foram incômodos nos olhos e, outros menos frequentes, mas com possibilidade de sério comprometimento ocular.
Diversos outros levantamentos em países diferentes, como os publicados pela revista científica Journal of Ophthalmic and Vision Research, identificaram que, aproximadamente, 11% dos pacientes participantes reclamaram de problemas oculares durante a infecção. Os sintomas mais comuns foram relacionados a olhos secos ou sensação de corpo estranho (16%) e vermelhidão (13,3%), com alguns casos de secreção e conjuntivite (8,8%).
Outra pesquisa, publicada pelo periódico Radiology, também citou a conjuntivite, sendo considerada um dos primeiros sinais da infecção, principalmente com as novas variantes. A investigação ainda indicou a formação de nódulos em pessoas que foram casos graves, junto da maior probabilidade de desenvolver uma retinopatia.
Já nos Estados Unidos, a Associação de Optometristas destaca as alterações variadas, como a vista cansada e o surgimento de campos cegos, impedindo de se ver tudo o que está no campo de visão, como, normalmente, se enxergaria. O maior risco ocorre entre quem passou pela Covid longa.
Contudo, é importante ressaltar que ainda não existe um consenso sobre o tema, afirmando que o Covid seria o motivo das inflamações e desconfortos, porém é possível observar as condições citadas pelas pesquisas, junto com as queixas de quem foi infectado pelo vírus e procurou ajuda oftalmológica, explicando seus desconfortos. Na maioria dos casos, as consequências são leves, consideradas até cotidianas, mas eventos raros e graves podem acontecer e comprometer a qualidade da visão.
A primeira recomendação é prevenção, através do uso de máscara, distanciamento e higienização das mãos, evitando o contágio da covid. A vacina diminui a incidência de ocorrências mais graves, gerando a necessidade de internação, entretanto, não impede a infecção pelo vírus.
Como ainda não existe uma confirmação científica, especificando todas as influências oculares da covid, assim como uma medida preventiva e eficiente para proteger a saúde dos olhos, a recomendação é para quem já teve a doença e, no mesmo período, observou algum sintoma, consultar um médico para uma avaliação detalhada do órgão, com a indicação de exames, evitando um problema considerado grave. É importante lembrar de evitar a automedicação.
*** Juliana Guimarães, oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães