Uma das principais situações mais alarmantes no mercado de trabalho está no fato de as doenças, envolvendo a saúde mental, acometerem um número cada vez maior de trabalhadores. A situação acaba obrigando parte desses doentes a ter de se afastar da empresa, devido à constante pressão e cobranças impostas, que comprometem o bem-estar e a qualidade de vida deles.
O estresse é um dos principais vilões, decorrente de vários motivos, como o cargo, nível de responsabilidade, acúmulo de funções, a obrigação de apresentar resultados e a imposição incessante de metas. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) revelou que 1 a cada 5 trabalhadores corporativos sofrerão com a síndrome de burnout.
Para se ter uma ideia, a ansiedade e depressão são os distúrbios mais conhecidos que atingem a mente, considerados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como os males do século XXI e, não são, na realidade, as únicas condições populares no cotidiano de milhares de pessoas.
Além da ansiedade e depressão, o Ministério da Saúde adicionou ainda a síndrome de burnout, as tentativas de suicídio e o uso de medicamentos para controlar sintomas, à lista de doenças do trabalho. Segundo a pesquisadora e advogada do escritório Vasconcelos Rodrigues de Oliveira Advogados Associados, Maria Inês Vasconcelos, a lista é usada para fornecer uma oportunidade de se distanciar do serviço por um determinado período de tempo para recuperação, conforme recomendação médica.
A necessidade cresceu ao longo da última década, principalmente após a pandemia, quando em 2020, a concessão de benefícios foi concedida a 291.300 mil pessoas, de acordo com informações do Ministério da Previdência Social.
A situação provoca uma grande pressão e começa aos poucos, sendo que os efeitos são considerados incapacitantes. Quem é diagnosticado com o problema reclama das alterações gastrointestinais, do sono e humor, se tornando mais irritadiço, impaciente, agressivo e irônico em algumas de suas falas, além de apresentar uma queda na capacidade de reter informações, menor concentração e a tendência de se isolar das outras pessoas.
As principais vítimas do afastamento são mulheres. O Ministério da Previdência aponta que apenas em 2023, dos 288.865 beneficiados por incapacidade, 177.238 foram mulheres, contra 111.582 homens. A realidade se reflete em Minas Gerais, foram 27.227 privações delas, contra 16.514 deles.
A verdade é que o excesso de estresse não faz bem a ninguém e desregula o organismo com o cansaço excessivo, formação de úlceras, alterações cardíacas, sensação de tontura, formigamentos, insônia e até o desenvolvimento de patologias mais graves, como o câncer, uma vez que acaba afetando diretamente a imunidade.
Maria Inês afirma que os trabalhadores devem buscar seus direitos, assegurados pela Constituição, propiciando a ausência remunerada das atividades por até 15 dias, auxílio doença para períodos mais longos, estabilidade empregatícia de até 12 meses após fim do tratamento e o direito à aposentadoria para quem não apresenta possibilidade de voltar a atuar, sendo concedida conforme as regras do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).