As férias de janeiro são aguardadas com muita expectativa por milhares de brasileiros, que aproveitam para viajar e descansar, sejam sozinhos ou com a família, envolvendo longos períodos de transporte, que indicam a necessidade de cuidados para evitar a condição e suas complicações.
Seja no carro, ônibus ou avião, passar longas horas sentado, em um ambiente apertado, e até mesmo quente, é desconfortável, uma vez que é quase impossível esticar-se, a não ser que se levante para ir ao banheiro ou faça uma parada. A ação gera muitas dores e pode desencadear a trombose viajante, nome popular para se referir ao momento em que a condição se desenvolve neste momento que deveria ser de lazer.
A trombose é uma condição que se desenvolve através da formação de coágulos de sangue nas veias, afetando o fluxo sanguíneo pelo local. Os membros inferiores são os mais acometidos pela condição, uma vez que a circulação pela região é fisiologicamente mais lenta, porque o sangue precisa fazer o caminho inverso para voltar ao coração.
A estimativa é de que afete uma a cada quatro pessoas no mundo, um a cada mil habitantes no país, sendo mais comum, principalmente no grupo feminino, entre 20 e 40 anos. Existem diversos motivos para isso, como a gravidez, genética, a maior probabilidade de desenvolver varizes e também o uso de repositores hormonais.
A hereditariedade e varizes também são fatores de risco para os homens, e de maneira geral, ambos os sexos precisam estar atentos também ao envelhecimento, diabetes, colesterol, obesidade, consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo e consequentemente a inatividade. Pacientes acamados ou que passam por cirurgias, por exemplo, estão mais suscetíveis a desenvolvê-la.
A trombose é, apesar de relativamente comum, considerada de risco pela sua característica muitas vezes assintomática, podendo a pessoa conviver por muito tempo com os coágulos em completo desconhecimento. Mas também pode apresentar sinais, seja através da dor no local atingindo, acompanhada de inchaço, endurecimento da pele, mudança da coloração e temperatura, ficando bastante quente.
Outro perigo da patologia está nas chances de evoluir para uma embolia pulmonar, já que o coágulo pode eventualmente se desprender de sua origem e ir em direção ao pulmão através da circulação. A embolia afeta os níveis de oxigenação do corpo, causa dores no peito, falta de ar, taquicardia, tosse seca e pode levar o paciente a óbito.
Por estes motivos, é importante que, antes de enfrentar longas horas de viagem, as pessoas tenham a oportunidade de se consultarem com um angiologista para compreenderem a condição de sua saúde vascular e também, serem orientados com recomendações e cuidados essenciais para aproveitar o passeio sem preocupações.
Desta forma, é preciso evitar imobilidade por mais de duas horas durante o trajeto, fazer pausas para um lanche ou uma ida ao banheiro, escolher roupas confortáveis, para não apertar os membros, e usar meias elásticas. Exercícios podem ser feitos ainda que sentados, para melhorar a circulação local, girando os calcanhares ou os apoiando no chão e levantando, repetindo várias vezes.
Para manter uma vida saudável, é primordial controlar os fatores de risco, abandonando principalmente, o fumo e sedentarismo, através da atividade física que ativa a bomba de circulação da panturrilha e melhora o deslocamento do sangue.
* Josualdo Euzébio Silva, médico cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular
VIAGENS E O PERIGO IMINENTE DE TROMBOSE
Passar muitas horas sentado, principalmente em ambientes apertados, se torna um risco
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