Abrir uma empresa é um desafio. Mantê-la ativa durante décadas, atravessando mudanças econômicas, tecnológicas e de comportamento do consumidor, exige decisões que vão muito além do momento da fundação.

Quando a Maxisul Veículos iniciou suas atividades em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, em agosto de 1993, o mercado brasileiro era bastante diferente do atual.

A internet comercial ainda dava seus primeiros passos no mundo. O consumidor não pesquisava um automóvel pelo celular antes de entrar em uma loja. Redes sociais não existiam e muitas etapas de uma negociação dependiam essencialmente do contato presencial.

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Mais de três décadas depois, a empresa permanece ativa.

À trajetória no mercado automotivo, Germano Jacó Heckler acrescentou outras frentes empresariais ao longo dos anos, chegando mais recentemente ao agronegócio.

A história ajuda a ilustrar um dos maiores desafios de quem decide empreender no longo prazo: entender que permanecer não significa continuar fazendo tudo da mesma maneira.

A origem no interior veio antes dos negócios

A trajetória de Germano começou longe das grandes regiões empresariais.

Nascido em 1973, em Cerro Largo, município do Noroeste do Rio Grande do Sul, cresceu em uma família de colonos.

O ambiente rural esteve presente desde os primeiros anos de vida.

Ainda adolescente, mudou-se para São Leopoldo, onde, segundo informações de sua trajetória biográfica, estudou com os jesuítas no seminário.

Posteriormente, passou pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Foi também nesse período de formação que começou a se aproximar do universo empresarial que marcaria a primeira grande etapa de sua carreira.

Setor automotivo funcionou como escola empresarial

Antes de administrar os próprios negócios, Germano teve experiência profissional no Grupo Sinoscar, tradicional concessionário Chevrolet do Rio Grande do Sul.

O período proporcionou contato com diferentes etapas do setor automotivo.

Venda, atendimento, negociação, financiamento e pós-venda fazem parte de uma cadeia na qual relacionamento com o consumidor possui peso significativo.

Mais do que aprender sobre automóveis, trabalhar no setor permitiu observar na prática como funciona uma operação comercial.

Essa experiência seria posteriormente levada para sua própria trajetória empresarial.

Maxisul iniciou atividades em 1993

A Maxisul Veículos foi aberta oficialmente em 12 de agosto de 1993, em Gravataí.

A empresa atua no comércio de veículos e possui entre suas atividades registradas a comercialização de automóveis novos e usados, consignação e intermediação de negócios.

Germano Jacó Heckler consta no quadro societário como sócio-administrador.

O dado mais relevante para compreender essa trajetória talvez seja justamente o tempo.

São mais de três décadas desde a abertura da empresa.

Esse período atravessa diferentes momentos da economia brasileira e também uma transformação profunda do próprio mercado de veículos.

Comprar um carro em 1993 era muito diferente

Observar a evolução do mercado automotivo ajuda a dimensionar o desafio de manter uma empresa durante tanto tempo.

No início da década de 1990, boa parte da jornada de compra acontecia presencialmente.

O consumidor visitava lojas, conversava com vendedores, analisava anúncios classificados e comparava as opções disponíveis na região.

A digitalização mudou esse comportamento.

Hoje, uma pessoa pode pesquisar dezenas de veículos antes mesmo de conversar com uma loja.

Com poucos toques no celular, é possível comparar:

  • modelos;

  • versões;

  • preços;

  • equipamentos;

  • avaliações;

  • condições de financiamento;

  • valor estimado de revenda.

Isso transferiu uma parte significativa do poder de informação para o consumidor.

Para as empresas, significou a necessidade de adaptação.

Informação mudou a relação entre vendedor e consumidor

A figura do comprador que entra em uma loja praticamente sem informações sobre o produto tornou-se menos comum.

Muitas vezes, o consumidor já chega sabendo qual modelo procura, qual é a faixa de preço encontrada no mercado e quais equipamentos considera indispensáveis.

Isso modificou também o papel da equipe comercial.

A venda deixou de depender apenas da apresentação do produto.

Credibilidade, atendimento, transparência nas condições e capacidade de solucionar dúvidas ganharam ainda mais importância.

Para empresas que começaram antes da popularização da internet, acompanhar essa mudança significou rever processos desenvolvidos durante anos.

Tecnologia transformou a operação

A mudança não aconteceu somente na relação com o cliente.

A própria administração empresarial foi digitalizada.

Sistemas de gestão substituíram parte dos controles manuais.

Documentos passaram para ambientes digitais.

Publicidade migrou para mecanismos de busca e redes sociais.

Atendimento passou a acontecer também por aplicativos de mensagens.

Estoques podem ser apresentados online praticamente em tempo real.

Uma empresa criada em 1993 precisou atravessar toda essa transformação para chegar a 2026.

Essa capacidade de adaptação é um dos elementos centrais da longevidade empresarial.

Permanecer não significa permanecer igual

Existe uma aparente contradição nos negócios de longo prazo.

Para permanecer, é preciso mudar.

Uma empresa que abandona completamente aquilo que construiu pode perder identidade e conhecimento acumulado.

Mas uma organização que se recusa a mudar pode deixar de acompanhar o mercado.

O desafio está no equilíbrio.

Alguns fundamentos podem permanecer — relacionamento com clientes, controle financeiro, conhecimento do produto e disciplina operacional — enquanto ferramentas e processos precisam evoluir.

A trajetória empresarial de Germano passou justamente por diferentes fases desse processo.

Diversificação surgiu como outro caminho

A continuidade no setor automotivo não impediu a entrada em outras atividades.

Segundo informações de sua trajetória empresarial, Germano também desenvolveu negócios relacionados à construção civil e patrimônio imobiliário.

Mais recentemente, o agronegócio passou a ocupar espaço maior dentro dessa estrutura.

Em março de 2022 foi constituída em Glorinha, no Rio Grande do Sul, a Heckler Serviços Administrativos e Agronegócio Ltda., que utiliza o nome fantasia Holding Heckler Agronegócio.

Germano consta como sócio-administrador.

A empresa possui atividades econômicas relacionadas a cereais, cultivo de milho e trigo e criação de bovinos para corte.

A nova frente representa uma mudança relevante de mercado, mas também uma aproximação com a origem rural do empresário.

Voltar ao campo, agora como empresário

Existe um elemento particular nessa parte da história.

O agronegócio não era completamente estranho a Germano.

Antes de veículos, empresas e administração, havia a vida em uma família de colonos no interior do Rio Grande do Sul.

Décadas depois, o campo reaparece em sua trajetória sob outra perspectiva.

Milho, trigo, outros cereais e criação de bovinos passaram a constar entre as atividades da estrutura empresarial ligada ao agronegócio.

A diferença é que agora essas atividades fazem parte de uma estratégia de negócios construída depois de décadas de experiência em outros setores.

Administrar setores diferentes exige novas competências

O conhecimento acumulado em uma empresa pode ajudar na criação de outra, mas não elimina a necessidade de aprender.

O mercado automotivo depende fortemente de fatores como comportamento do consumidor, crédito, estoque e preço dos veículos.

O agronegócio responde a outras variáveis.

Clima, produtividade, preços internacionais, custo de insumos, logística e características da terra podem afetar diretamente o resultado.

É justamente aí que diversificação e gestão se encontram.

O empresário pode levar competências administrativas de um mercado para outro, mas precisa compreender as particularidades da nova atividade.

Estrutura empresarial chegou ao Norte do país

O movimento de expansão ganhou outro capítulo em novembro de 2024, quando a Heckler Serviços Administrativos e Agronegócio abriu uma filial em Belém, no Pará.

A matriz permanece em Glorinha, no Rio Grande do Sul.

A existência de unidades empresariais nas regiões Sul e Norte acrescenta uma nova dimensão à trajetória iniciada no mercado automotivo da Grande Porto Alegre.

Mais do que diversificar setores, a estrutura passa também a alcançar diferentes regiões do país.

Crescimento de longo prazo não acontece em linha reta

Quando uma trajetória empresarial é observada depois de décadas, existe a tendência de enxergá-la como uma sequência lógica.

Na prática, raramente funciona assim.

Economias entram em recessão e voltam a crescer.

Tecnologias desaparecem.

Novos concorrentes surgem.

Há mudanças tributárias, alterações no crédito e transformações no comportamento dos consumidores.

O que funciona em determinado período pode deixar de funcionar alguns anos depois.

Por isso, longevidade empresarial não deve ser confundida com ausência de dificuldades.

Ela está mais relacionada à capacidade de atravessar essas mudanças.

Gestão financeira ganha peso conforme a empresa amadurece

Empreender durante décadas também modifica a relação com risco.

Nos primeiros anos de uma empresa, o crescimento costuma ocupar grande parte das atenções.

Com o amadurecimento, preservação patrimonial, liquidez, diversificação e planejamento de longo prazo tendem a ganhar relevância.

Decidir onde reinvestir os resultados passa a ser tão importante quanto gerar receita.

É nesse estágio que alguns empresários começam a distribuir investimentos entre diferentes atividades.

A entrada de Germano em setores como construção e agronegócio pode ser observada dentro desse processo mais amplo de diversificação.

Conhecimento acumulado também é patrimônio

Empresas costumam medir patrimônio por imóveis, máquinas, veículos, estoque ou recursos financeiros.

Mas existe outro ativo mais difícil de colocar em um balanço: experiência.

Depois de décadas negociando, contratando, administrando, investindo e tomando decisões, o conhecimento acumulado passa a influenciar a maneira como novas oportunidades são avaliadas.

Isso não elimina riscos.

Também não garante que um novo empreendimento terá sucesso.

Mas modifica a qualidade das perguntas feitas antes de uma decisão.

Quanto custa?

Quanto tempo será necessário?

Qual é o risco?

Quem conhece esse mercado?

Como a operação será administrada?

Qual é a perspectiva de longo prazo?

Em negócios, saber quais perguntas fazer pode ser tão importante quanto encontrar respostas.

Fé e disciplina aparecem na formação pessoal

A passagem pelo seminário jesuíta também ocupa um espaço importante na história contada por Germano sobre sua formação.

Disciplina, estudo e fé são valores que ele associa àquele período.

Eles se somam à experiência de crescer em uma família do interior, onde o trabalho fazia parte da rotina desde cedo.

Esses elementos pertencem à dimensão pessoal da trajetória, mas ajudam a explicar a visão de longo prazo que posteriormente seria aplicada aos negócios.

Uma carreira empresarial não é construída apenas pelo conhecimento adquirido dentro das empresas.

A formação anterior também influencia decisões, prioridades e maneiras de administrar.

O empreendedor de 1993 não poderia administrar como em 2026

Talvez essa seja uma das principais conclusões da trajetória.

O empresário que abriu uma empresa no início dos anos 1990 encontrou um Brasil diferente daquele de hoje.

O consumidor mudou.

O automóvel mudou.

O crédito mudou.

A tecnologia mudou.

A comunicação mudou.

E os próprios negócios de Germano também mudaram.

A atividade empresarial que começou fortemente associada ao setor automotivo passou a dividir espaço com novas frentes e, mais recentemente, com o agronegócio.

A Maxisul continua ativa.

A Holding Heckler Agronegócio representa uma etapa posterior.

São negócios de setores diferentes que ajudam a contar momentos diferentes da mesma trajetória.

Três décadas mostram que adaptação também faz parte da estratégia

Não existe fórmula capaz de garantir que uma empresa permanecerá no mercado durante décadas.

Existem variáveis que nem mesmo o empresário consegue controlar.

Mas trajetórias longas permitem observar alguns padrões.

Capacidade de aprender.

Controle sobre decisões.

Adaptação às mudanças.

Disposição para entrar em novos mercados sem necessariamente abandonar os negócios já construídos.

A história empresarial de Germano Jacó Heckler reúne vários desses elementos.

De Cerro Largo à Região Metropolitana de Porto Alegre, do aprendizado no mercado de veículos à administração da Maxisul e, posteriormente, aos investimentos ligados ao campo, sua trajetória atravessou diferentes fases da economia e da própria vida profissional.

Mais de três décadas depois da abertura da empresa que marcou sua consolidação no mercado automotivo, a história continua em movimento.

E talvez seja justamente essa a principal característica de quem empreende no longo prazo:

permanecer não significa ficar parado.