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A ciência por trás das ondas: Pedro Bento desvenda o fenômeno do mar

O especialista em surf explica como o vento e o fundo do mar moldam as ondas que chegam à costa, desde o swell até a quebra perfeita.

A ciência por trás das ondas: Pedro Bento desvenda o fenômeno do mar
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Em Búzios, o surfista e especialista Pedro Bento frequentemente se depara com uma questão universal: “Por que o mar tem ondas?”. Essa indagação, vinda de alunos, crianças e até surfistas experientes, é o ponto de partida para compreender um dos fenômenos mais fascinantes da natureza e essencial para a prática do surf. A resposta, segundo Bento, não só desmistifica, mas também enriquece a experiência de quem se conecta com o oceano.

As ondas que chegam à praia não surgem de forma espontânea. Elas percorrem longas distâncias, muitas vezes dias ou semanas e milhares de quilômetros, antes de encontrarem a costa. Esse processo tem início no meio do oceano, onde o vento sopra com intensidade, agitando a superfície da água e dando origem a ondulações. Com o tempo, essas ondulações se desenvolvem, ganham força, organizam-se em séries e viajam em direção ao litoral. Este conjunto de ondas em movimento é tecnicamente conhecido como swell.

A origem desses ventos oceânicos está no aquecimento irregular da Terra pelo Sol, que gera variações na pressão atmosférica. Isso provoca o deslocamento do ar de regiões de alta pressão para áreas de baixa pressão, criando as condições ideais para a formação das ondas. É um ciclo natural e contínuo, que a natureza oferece generosamente, e que Pedro Bento destaca como motivo de gratidão a cada entrada na água.

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Como e por que as ondas quebram?

Em mar aberto, onde a profundidade é considerável, a ausência de bancadas (sejam de areia, pedra ou coral) permite que as ondas viajem sem quebrar, mantendo-se organizadas e com seu ritmo constante.

A “magia” da quebra só acontece quando o mar se torna mais raso, aproximando-se da costa. Nesse ponto, a base da onda encontra resistência no fundo do mar e diminui sua velocidade, enquanto o topo continua seu movimento, inclinando-se e formando o que conhecemos como lip (a crista da onda). Após o movimento de “tombo” do lip, forma-se a espuma, resultando em uma onda surfável.

A qualidade dessa onda é diretamente influenciada pelo que está sob ela. O fundo do mar é um fator crucial para o surf. Em locais com fundo de areia, os chamados beach breaks, as ondas tendem a variar em posição e qualidade.

Já em picos com fundo de coral ou pedra, conhecidos como point breaks, as ondas são mais consistentes, quebrando no mesmo local e raramente fechando completamente. Saquarema, o “Maracanã do surf” brasileiro, é um exemplo de beach break, enquanto Jeffreys Bay, na África do Sul, famosa por suas direitas perfeitas, é um point break.

A importância de observar o mar

Antes de entrar na água, Pedro Bento sempre orienta seus alunos a dedicar um tempo à observação atenta do mar. É fundamental prestar atenção em detalhes como o tempo entre as séries de ondas, a direção e força das correntes, e a identificação das valas, que indicam os melhores pontos para entrar e surfar.

Essa prática de “ler o mar” permite uma conexão mais profunda com o ambiente. Embora nenhuma onda seja idêntica à outra, o mar apresenta padrões perceptíveis que, uma vez identificados, são cruciais para um melhor desempenho no surf.

Dedicar de 5 a 10 minutos à observação pode poupar muito tempo e esforço dentro d'água, um hábito valioso tanto para atletas competitivos quanto para surfistas de fim de semana.

Apesar de aprender a interpretar os sinais do mar e das ondas, o objetivo não é tentar controlá-lo. A leitura serve para posicionar-se corretamente e reagir aos movimentos imprevisíveis do oceano, surfando em harmonia com sua força. Até a próxima! Ihii! Pedro Bento (@pedrobento28)

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