A implementação da ADPF das favelas no Supremo Tribunal Federal modificou profundamente as táticas de enfrentamento ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro. Especialistas indicam que a medida encerrou o ciclo de focar apenas no varejo do tráfico e passou a mirar a engrenagem estrutural da criminalidade.
Segundo Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, a decisão estimulou uma transformação silenciosa. O modelo tradicional de operações policiais em comunidades foi substituído por investigações complexas que atacam os braços armado, econômico e institucional das facções e milícias.
“Pela 1ª vez em muito tempo, as investigações parecem atacar os três pilares do crime organizado de uma só vez”, pontuou a especialista. A estratégia abrange desde o contrabando e a lavagem de dinheiro até o envolvimento de agentes públicos e autoridades na proteção aos esquemas criminosos.
O julgamento da arguição, finalizado em abril de 2025, estabeleceu que a Polícia Federal abrisse investigações permanentes e com dedicação exclusiva no território fluminense. O STF determinou ainda prioridade máxima de órgãos como o Coaf e a Receita Federal nas diligências.
Mudança estrutural
Para o ex-policial federal Roberto Uchôa, a decisão suprema conferiu o suporte institucional necessário que o estado sozinho não conseguia mobilizar. A medida fortalece a atuação conjunta entre a Justiça Federal e o Ministério Público contra organizações que capturaram instituições locais.
O advogado criminalista Cristiano Maronna reforça que o foco se deslocou para a cúpula e para as redes de sustentação política. No entanto, ele pondera que a alta dependência de inquéritos extraordinários pode gerar tensões e evidenciar fragilidades sistêmicas na investigação estadual.
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