Araraquara sediou um importante Encontro de Prefeitos e Secretários Municipais de Saúde da DRS III nesta quarta-feira (22), com o objetivo de buscar soluções para a sustentabilidade financeira da Santa Casa de Araraquara e da Maternidade Gota de Leite. O evento, realizado no auditório da DRS III, reuniu representantes da região central para discutir um modelo de cooperação.
Durante o encontro, foi formalmente apresentada uma proposta de cooperação regional. Ela prevê que os municípios da área de abrangência contribuam financeiramente de maneira proporcional ao volume de pacientes atendidos tanto na Santa Casa quanto na Maternidade Gota de Leite.
A mesa de discussões contou com a presença do prefeito Dr. Lapena e da secretária municipal de Saúde, Emanuelle Laurenti. Também participaram o provedor da Santa Casa, Jeferson Yashuda, e o diretor da DRS III, Toninho Martins.
Além das autoridades de Araraquara, estiveram presentes prefeitos e secretários de saúde de Boa Esperança do Sul, Rincão, Américo Brasiliense, Gavião Peixoto, Trabiju, Motuca e Santa Lúcia. Essas cidades representam a vasta região Central, diretamente impactada pelos serviços hospitalares.
Atualmente, a Prefeitura de Araraquara arca sozinha com um aporte mensal de cerca de R$ 830 mil para o custeio da Santa Casa. Essa responsabilidade financeira é significativa e tem um impacto direto no orçamento municipal.
No caso da Maternidade Gota de Leite, a situação é ainda mais crítica para Araraquara. O município cobre aproximadamente 90% dos custos mensais, totalizando um investimento de cerca de R$ 4 milhões. Apenas R$ 1 milhão provém de recursos federais.
A proposta visa justamente a divisão equitativa dessa carga financeira entre todos os municípios que se beneficiam dos serviços. O objetivo é fortalecer a rede de saúde regional e mitigar os riscos de colapso ou comprometimento dos atendimentos essenciais.
Santa Casa: um pilar de saúde regional
As instituições, Santa Casa de Araraquara e Maternidade Gota de Leite, atendem pacientes não apenas da região Central, mas também das regiões Noroeste e Coração da DRS III. Elas são essenciais por oferecerem serviços de média e alta complexidade.
Indicadores apresentados durante a reunião reforçam a importância da Santa Casa. Atualmente, a instituição opera com 217 leitos em funcionamento, sendo que 182 (84%) são destinados exclusivamente ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Os 35 leitos restantes (16%) são para atendimento particular. Há ainda a possibilidade de uma significativa expansão para 310 leitos com a conclusão do novo prédio, o que incluirá novas enfermarias e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
Essa ampliação futura também prevê um aumento na capacidade de realização de exames e procedimentos especializados, consolidando a Santa Casa como um centro médico vital para a região.
Um ponto de destaque foi a notável recuperação financeira da instituição. A dívida da Santa Casa, que era de R$ 107 milhões em 2022, projeta uma redução para R$ 37 milhões até 2026.
Esse resultado expressa uma gestão responsável, que não só fortaleceu a credibilidade da instituição junto aos seus fornecedores, mas também garantiu a continuidade e a qualidade dos serviços essenciais prestados à população.
Tais dados sublinham o excelente trabalho desenvolvido pela Santa Casa de Araraquara. Mesmo diante dos desafios inerentes ao financiamento da saúde pública, a instituição mantém um padrão de atendimento de qualidade, permanecendo como referência para milhares de pacientes da região.
O prefeito de Araraquara, Dr. Lapena, fez um apelo direto aos gestores presentes, enfatizando a urgência da situação. "Acredito que precisamos unir esforços para evitar um colapso ainda maior na saúde", declarou o prefeito.
Ele ressaltou que "os hospitais trabalham acima da capacidade, as equipes estão sobrecarregadas e a demanda cresce a cada dia". Lapena pediu reflexão sobre o momento atual.
"Precisamos construir uma solução regional que fortaleça a assistência à população, preserve o trabalho desenvolvido pela Santa Casa e a Maternidade, oferecendo melhores condições para quem depende diariamente do sistema público de saúde", concluiu.
Próximos passos e avaliação municipal
Ao término da reunião, a secretária municipal de Saúde formalizou a proposta de contribuição financeira aos municípios participantes. Ela solicitou que prefeitos e secretários avaliem internamente a viabilidade de adesão a essa iniciativa.
As administrações municipais deverão apresentar seu posicionamento oficial na próxima reunião da Comissão Intergestores Regional (CIR). Este importante encontro está agendado para o dia 5 de agosto, marcando uma etapa crucial na busca por uma solução conjunta.
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