O brasileiro é conhecido por muitas condições, inclusive a baixa adesão à leitura. As pesquisas estimam uma leitura anual entre brasileiros de 3,96 livros, uma média considerada muito baixa, sendo até 53% dos habitantes considerados não leitores. Um dos motivos para essa situação está diretamente ligado à falta de acesso a etapas primordiais do consumo.
Para a poeta, filósofa e advogada, Beth Guedes, a democratização da leitura acontece a partir de ações e políticas públicas para expandir o acesso a livros e estimular o hábito da leitura, superando barreiras sociais, financeiras e geográficas.
A leitura não é democrática por uma série de fatores, como o elevado custo dos livros, a falta de acesso pela ausência de bibliotecas públicas, ou até mesmo, nas escolas, apesar de uma lei brasileira para reverter essa situação e, também, devido à baixa qualidade educacional.
A verdade é que, por muitas décadas, o Brasil enfrenta um grave problema de analfabetismo, devido à qualidade do ensino e a falta de acesso à escola, quer seja pela distância e falta de transporte.
Para se ter uma ideia, um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que 5,3 pessoas, com 15 anos ou mais, aproximadamente 9,1 milhões, não sabem ler ou escrever, nem mesmo, o nome. A maior parte desse número é formada por idosos que viveram em uma época diferente e com maiores desigualdades. Em Minas Gerais, a estimativa é de 4,4% da população nesta realidade.
Beth recorda que projetos são promovidos para reverter essa situação, como a Educação de Jovens e Adultos (EJA) para quem abandonou os estudos ou nunca teve a oportunidade de frequentar uma escola. O problema é muito amplo e requer atenção de diferentes frentes, incluindo uma melhor qualidade de vida com acesso a empregos e bons salários.
Recentemente, o governo federal deu um importante passo para a democratização da leitura com a plataforma “Mec Livros”. Trata-se de uma biblioteca digital com mais de 25 mil obras disponíveis, de domínio público ou mais recentes, licenciadas, para estudantes, professores, pesquisadores e leitores acessarem uma variedade de gêneros.
Qualquer texto é válido, mas a poesia, particularmente, possui uma capacidade única de aproximar o público através de temas sociais com técnicas para conteúdo maleável, rompendo barreiras formais e usando a musicalidade e oralidade, incluindo todos, independentemente do gênero e da idade.
Vale lembrar que é uma excelente alternativa para iniciantes no hábito da leitura e que desejam começar por conteúdos breves. É importante recordar que o acesso à leitura é um dos pilares para o desenvolvimento de uma sociedade mais crítica e igualitária. O conhecimento expande horizontes.
“A Casa do Poeta”, localizada no distrito de Curralinho/ Extração, em Diamantina, é um dos projetos da poeta que contribuem para a fomentação da democratização da leitura. A proposta garante acesso a eventos, como por exemplo, saraus e oficinas de escrita, visando disseminar a escrita da poesia com a exposição de sentimentos, aprendizagem e visão de mundo.
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