Quem assistiu aos jogos de Cabo Verde na Copa do Mundo, observou algo diferente em um dos olhos do goleiro do time, o Vozinha, apresentando uma condição conhecida como “carne no olho”.

Na verdade, oficialmente, trata-se de pterígio, patologia benigna, visível a olho nú, caracterizada pelo crescimento de um tecido fibrovascular da conjuntiva - a membrana revestidora da parte branca do olho, avançando em direção à córnea e  comprometendo a visão.

Segundo a oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, o problema é comum entre pessoas muito tempo expostas ao sol, ao vento e à poeira, pois a radiação ultravioleta (UV) causa danos crônicos nas células da superfície do olho. As agressões frequentes provocam inflamação e ressecamento que estimulam o crescimento da conjuntiva.

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Quem tem reclama de ardor ocular, irritação e a sensação de areia. Os incômodos até podem parecer simples, porém, sempre devem ser investigados. “O pterígio avança e pode tracionar a córnea,  induzindo o astigmatismo e tornando a visão embaçada”, explica a oftalmologista.

O diagnóstico é simples com exame de lâmpada de fenda e podem ser necessários exames complementares como a topografia corneana e a fotografia ocular digital. 

Para Juliana, o tratamento varia conforme o estágio da condição. Os colírios e anti-inflamatórios são recomendados, em casos iniciais, evitando a irritação, vermelhidão e ressecamento. Contudo, quando o crescimento da membrana afeta a visão, uma cirurgia de remoção é  indicada.