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As pessoas com deficiência (PCD) ainda sofrem diversos problemas sociais, decorrentes de preconceitos, apesar das diversas leis integrativas. As campanhas em datas como o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, promovem a conscientização da população sobre as dificuldades cotidianas.

A  legislação brasileira estabelece que a inclusão se refere a um impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, cujas barreiras sociais impedem a participação igualitária dos portadores. A a poeta, filósofa e advogada, Beth Guedes, que possui uma deformidade física, explica que este modelo de lei é chamado de biopsicossocial, por considerar, justamente, os fatores biológicos, sociais e a interação, como por exemplo, a incapacidade de um PCD em resolver problemas decorrentes da falta de acessibilidade ambiental.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2025, estima que 14,4 milhões de brasileiros apresentam condições consideradas impedimento à longo prazo, representando cerca de 7,3% da população com dois anos ou mais. As diferenças não deveriam ser tratadas com tamanho estranhamento.

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Para Beth, os diferentes tipos de deficiência dificultam a aplicação de soluções eficientes em estabelecimentos, porém, não deve ser uma desculpa. Normalmente, ao pensar sobre acessibilidade, grande parte das pessoas tende a vislumbrar somente a falta de rampas de acesso ou de adaptação no transporte público e filas preferenciais, contudo,  os obstáculos são mais amplos.

A situação é um tema em debate para um número crescente de escolas brasileiras, focadas em  promover a inclusão com o serviço “Atendimento Educacional Especializado”. Trata-se de um sistema com adaptações em prédios e materiais de estudo, associando o uso de tecnologias para o aprendizado e comunicação. 

Vale sugerir ainda que, as  escolas devem considerar também os aspectos envolvendo as deficiências e inclusão, como o ensino da linguagem de sinais. Afinal, segundo o IBGE, até 5% da população é surda, em diferentes níveis e, parte dela usa libras para se comunicar,  apesar de a maioria dos brasileiros ainda desconhecer a linguagem.

Lamentavelmente, esse cenário acaba provocando a falta de autonomia em todas as faixas etárias. “A tendência de se pensar no acolhimento e desenvolvimento de crianças é maior, mas as mesmas crescem, constroem suas próprias vidas, famílias e carreiras profissionais. A falta de preocupação em ações e políticas para adequação dessas situações segue  preocupante”, afirma a poeta.

Apesar das dificuldades enfrentadas, felizmente, em relação às últimas décadas, a evolução é bastante visível. A expectativa é uma conscientização paulatina sobre essa situação e restrição de preconceitos sobre a importância da inclusão de pessoas com deficiência, muito além da bem-vinda criação de rampas. Os brasileiros devem se livrar das amarras impostas por crenças limitantes, rompendo paradigmas ao compreender mais sobre a diversidade.