As mulheres já conquistaram diversos direitos ao longo dos anos, como o voto e maior participação política, inclusive, de maneira mais ativa, através da candidatura de cargos, sendo vitoriosas, como por exemplo, a eleição da presidenta no México. Trata-se da primeira vez que uma mulher conquista esse cargo. Claudia Sheinbaum é ex-prefeita da capital, Cidade do México e, aliada do atual presidente, Andrés Manuel López Obrador, chegando ao cargo com ampla vantagem, segundo o Instituto Nacional Eleitoral, ou seja, aproximadamente 58% da preferência nacional.
A pesquisadora e advogada do escritório Vasconcelos Rodrigues de Oliveira Advogados Associados, Maria Inês Vasconcelos, lembra que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece 193 Estados soberanos, sendo que apenas 14 deles são comandados por elas, representando menos de 10% das nações. O Brasil também teve sua primeira representante em 2010.
Para se ter uma ideia, uma pesquisa do Instituto das Mulheres, Paz e segurança (GIWPS) da Universidade de Georgetown, apontou que o México é o segundo pior país na América Latina e Caribe para uma mulher viver, atrás apenas do Haiti, sendo que o Brasil ficou na 8ª colocação.
Os crimes contra elas estão crescendo anualmente e, dados oficiais do México, revelam que metade da população feminina já foi vítima de estupro, ao menos uma vez na vida, sendo que, apenas em 2021, acredita-se que uma a cada cinco tenha sofrido essa violência.
O desaparecimento de mulheres também é comum e as vítimas costumam ter entre 10 e 19 anos. O Instituto Mexicano de Direitos Humanos e Democracia (IMDHD) mostra que o recorde aconteceu em 2023, quando se registrou mais de 2,7 casos e a estatística sobe, paulatinamente, nos últimos seis anos. Atualmente, 26 mil mulheres ainda estão desaparecidas.
Outra violência visível é a política, afinal, dos 177 países no mundo, o México possui os maiores casos, acima da média global, de 16 incidentes anuais. Em 2022, foram 537 registros.
A verdade é que os problemas perduram há décadas. Com a eleição de uma mulher, espera-se soluções para reverter esses espantosos números. A expectativa é que essa mudança permita que elas possam andar tranquilamente pelas ruas, durante o dia, ou até mesmo, de se sentirem seguras em sua próprias casas, entre outros problemas, por exemplo, econômicos.
O movimento feminista permitiu diversas conquistas, através do desejo da igualdade social e direitos perante aos homens, permitindo acesso a estudo, trabalho, salários mais justos, voto e a liberdade de escolha.
Para Maria Inês, a vitória de Claudia deve ser celebrada por tudo que significa: anos incansáveis de reivindicações, principalmente, das mulheres que não conseguiram conquistar suas demandas. Ainda há muito a ser adquirido e mudado, especialmente, em relação à justiça e violência.