A tecnologia facilita muitos processos cotidianos que, anteriormente, eram considerados trabalhosos, por demandarem muito tempo de uma rotina cada vez mais acelerada para serem finalizados. A escrita é uma dessas atividades que, aos poucos, é substituída pelo ato de digitar, porém, o método tradicional ainda possui uma série de benefícios.
A faixa etária mais jovem costuma ser a mais adepta às modernidades. Pensando no âmbito escolar, é comum encontrar jovens ainda usando os cadernos e livros, devido à praticidade e custo dos materiais, apesar de realizarem trabalhos com auxílio da internet. Entretanto, nas universidades, por exemplo, é cada vez mais comum ver estudantes com computadores e tablets.
Segundo a PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, a escrita é considerada melhor que a digitação, porque escrever à mão requer mais esforço cognitivo, estimulando a conectividade entre regiões sensoriais e motoras. Assim, fica mais fácil fixar o conteúdo.
Diferentemente da memória a curto prazo - responsável por armazenar poucas quantidades de informação por alguns segundos ou minutos -, o tipo longo prazo retém dados por dias ou anos, ilimitadamente. O processo ocorre após uma série de etapas, envolvendo a informação codificada pelo cérebro, consolidada pelo hipocampo e, posteriormente, armazenadas e distribuídas pelo córtex para serem resgatadas, quando necessário.
Ângela afirma que a neurociência estabelece fatores, como a carga emocional, repetição, associação com conhecimentos prévios e boas noites de sono, que contribuem profundamente para o salvamento das memórias na “aba” de longo prazo.
É preciso recordar que os benefícios de escrever vão muito além da educação, devendo ser um estímulo realizado por todos para o bom funcionamento cerebral. “Nas crianças, a ação contribui para o desenvolvimento do cérebro, das atividades motoras e a linguagem, contribuindo assim, com a alfabetização e o reconhecimento de letras, números e sons, criando uma conexão para descoberta de palavras”, explica a especialista.
Pensando na terceira idade, o exercício é considerado um dos estímulos mais eficaz para o cérebro atrofiado, devido aos anos de experiência, a ponto se tornar mais lento e seletivo, durante essa fase da vida e, não, inativo. A condição acontece, justamente em razão do processo natural do envelhecimento, perda de neurônios e a diminuição de conexões.
Além da escrita, outros hábitos também mantêm o estímulo cerebral, ativando várias áreas importantes para o funcionamento do órgão, sendo os mais benéficos: as atividades manuais, musicais, jogos, exercícios sensoriais, físicos, meditação e mudanças na rotina.
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