O cartão de crédito segue como o tipo de dívida mais comum entre os consumidores brasileiros, mesmo apresentando os custos mais elevados: atinge 88,8% das famílias endividadas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A pesquisa também registrou um recorde no percentual de famílias com dívidas a vencer, em abril: 77,7% do total - o maior da série histórica, iniciada em janeiro de 2010. O índice avançou 0,2 ponto percentual em relação a março passado e 10,2 pontos na comparação com abril de 2021 (67,5%).
Para o advogado especializado em Direito Bancário Francisco Mendonça, do escritório Mendonça e Segatto, de Ribeirão Preto, a supremacia no uso de cartões é uma evidência de que o endividamento está ocorrendo no consumo de curto prazo, e também de que há famílias usando esse tipo de crédito para complementar a renda, cujo poder aquisitivo tem sido golpeada pela volta da inflação.
Autor do e-book “Superdicas para negociar com bancos”, o advogado aconselha as famílias a buscarem negociação com credores ou até a empréstimos com juros e encargos “mais razoáveis” antes de apelar ao gênero mais caro de crédito. Dessa forma é possível evitar que um pequeno endividamento evolua para um moderado e até para um superendividamento, graças à cobrança dos altos juros praticada pelas administradoras de cartões de crédito.
Para tanto, ele considera de suma importância identificar precocemente a situação de endividamento. Os principais sinais a apontarem para o problema, segundo ele, são:
- Quando metade (50%) da renda mensal do indivíduo ou da família está comprometida para o pagamento de dívidas;
- Quando a inadimplência chega a 90 dias, ou seja, a pessoa não consegue quitar contas devidas durante 3 meses;
- Quando indivíduo ou a família está utilizando simultaneamente recursos de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo;
- Quando as sobras do mês – após o pagamento das dívidas – estão abaixo de 15% do rendimento mensal
“Aquele que se enquadra em dois itens já é considerado endividado. No caso de identificação com mais de dois, pode se encontrar um caminho para o superendividamento”, alerta o advogado.
De acordo com a PEIC, o tempo de comprometimento com dívidas resultou, em abril, na média de 7,1 meses, com mais pessoas endividadas no período de até três meses (25,1% do total de endividados). Já o percentual de endividados por mais de um ano é de 32,9%.
Mais de ¼ da população
A parcela da população brasileira com dívidas ou contas em atraso também bateu recorde em abril, chegando a 28,6%. Representa uma alta de 0,8 ponto percentual em relação a março, e de 4,3 pontos percentuais ante abril do ano passado – quase o mesmo crescimento na comparação com o de fevereiro de 2020 (4,4 p.p), mês anterior à chegada da pandemia de covid-19 ao país.
Já as famílias que declararam não ter condições de saldar suas dívidas correspondem a 10,9% do total – quase o mesmo percentual registrado nos meses de março deste ano (10,8%) e de abril de 2021 (10,4%).
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