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Quinta-feira, 30 de Abril 2026

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FIM DO RESSENTIMENTO E A CONSTRUÇÃO DE PONTES

É possível vivenciar o feminismo sem tensão

FIM DO RESSENTIMENTO E A CONSTRUÇÃO DE PONTES
Maria Inês Vasconcelos
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Segundo Hilda Hilst, “Se me proponho ouvir. Vem do Nada. Dos vínculos desfeitos.  Vem dos ressentimentos. E sibilante e lisaSe faz paixão, serpente, e nos habita”. A verdade é que o feminismo vem se tornando alvo de um tempero particular: a idossincrasia. Ela é culpada e responsável pela criação de estereótipos.

Etimologicamente, idiossincrasia surgiu do grego idiosskrasía,  significando “temperamento particular”. Assim, tempera-se as ações com uma determinada disposição ou tendência. Há uma tendência no feminismo de viver na guerrilha com o homem e num eterno ressentimento.

Claro, recompor a mulher, que durante séculos viveu sobre a apologia do masculino, ou quando o masculino prevaleceu sobre a mulher, exige uma postura para nova autoridade e com ação focada em manter a mulher emancipada na sociedade.

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É importante escrever um discurso diário, validando um tipo de conversão, visando persistência na abolição da dominação e uma resistência a eles, quando tentam avançar  sinais para  transitar livremente sobre ou acima dos direitos delas.

Contudo, não se deve generalizar. É possível vivenciar o feminismo sem tensão.  Chega de rebelião que atrasa e bloqueia a nova cartografia das ações de emancipação da mulher. É retrocesso. 

Para se encaixar no repertório das agendas verdadeiramente feministas, elas  não  precisam reeditar o mundo da paranóia.  O feminismo não precisa ser apocalíptico; destruir o homem, pois, assim, acaba por destruir a mulher, afinal, vai consumi-la. 

O ressentimento esconde muita coisa, sendo um tipo de possibilidade para a política. Muitas mulheres políticas e ativistas largam do ressentimento. É como se todo homem fosse culpado de qualquer uma das dificuldades delas, como se eles fossem responsáveis pelo que elas são. É um rancor eternizado  e, por assim ser, quase autoriza, um outro sentimento: a vingança. 

Não há tempo para isso no feminismo . Aliás, isso cansa e se torna um mar de oportunidade ao contra  ataque das antifeministas. Prato quente para a extrema direita.

É preciso distinguir  que a cólera não pode ser o tom. Penso na importância de todos os elementos, do conjunto e, um que nunca pode ser desprezado: há homens que discordam sonoramente do patriarcado e que como elas, insistem em movimentos pró-feministas e na dignidade das relações. 

Muitas  mulheres feministas constroem agendas e pontes feministas  com homens.

Nem todo homem é assediador, agressor, ou pratica discriminação contra elas. O comportamento masculino não é um só.

O feminismo  tem de considerar essas alianças. Quando sindrômico ou psicótico, quando tem mania de perseguição, quando interpreta errado; o feminismo delira.  Pelo mundo, feministas estão atentas a essas  catarses persistentes das mulheres que não viram a chave para o novo start: os homens são aliados e, não, inimigos.

*** Maria Inês Vasconcelos - advogada  trabalhista, doutora em educação, pesquisadora

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