Muitas mulheres sonham em ser mães e, principalmente, terem uma gravidez de gêmeos. Ao recorrer à reprodução assistida, centenas delas ainda solicitam a implantação de mais de um embrião para garantir a gestação gemelar. O que poucas sabem é que a reprodução assistida não garante gravidez de múltiplos. Às vezes ocorre, mas não se deve procurá-la pelos riscos na evolução da gravidez e do parto. Cabe ao médico alertar sobre os riscos desse tipo de gravidez, desqualificando o implante de vários embriões.
Quando há a implantação de um número elevado de embriões, as chances de uma gestação múltipla aumentam e, consequentemente, as possibilidades de complicações. A gestação possibilita a ocorrência de partos prematuro com descolamento da placenta, abortos espontâneos, reduzindo as chances do bebê sobreviver após o parto. As mulheres têm maiores chances de desenvolverem pré-eclâmpsia e diabetes gestacional, por exemplo.
Para se ter uma ideia da necessidade de controle da natalidade gemelar com a reprodução assistida, o Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que o número máximo de embriões transferidos para o útero seja de acordo com a idade materna. O permitido para quem tem até 35 anos é a transferência de dois embriões e, para aquelas entre 36 e 39 anos, até três. Já mulheres com 40 anos ou mais podem receber até quatro.
Tanto rigor desafia as clínicas de reprodução assistida a manterem bons índices de gestação, sem aumentar a incidência de múltiplos. A eficiência de uma clínica de reprodução é mensurada pelo baixo número de gravidez de gêmeos. Os laboratórios devem reduzir o número de embriões a serem transferidos, quando começam a ter gestações múltiplas. Uma prática contrária para aumentar os índices de gestação, sem se preocupar com a possibilidade de gravidez múltipla, é uma conduta inconsequente e questionável.
O último Registro Latino-americano de Reprodução Assistida aponta um aumento de 50% no número de ciclos brasileiros com apenas um embrião. O levantamento revela ainda que o nascimento de um filho por técnicas de reprodução assistida carrega o risco de uma gestação múltipla, cabendo à medicina aprimorar os métodos de transferência de embriões, propiciando a redução das chances de ocorrência desse tipo de gestação. Quem recorre à reprodução assistida, deve se certificar que a clínica escolhida tenha uma baixa ocorrência de gravidez de múltiplos e nada de pedir a implantação de muitos embriões. Lidar com a vida, seja nossa ou de outros, requer responsabilidade.