As mortes provocadas com a venda de bebidas adulteradas em São Paulo chamaram a atenção pela gravidade da situação. Muitos beberam e não faleceram, mas apresentaram uma série de outros sintomas graves, incluindo, a perda da visão.
O metanol, também chamado de álcool metílico, é um solvente usado em combustível para motores e ainda serve como insumo para a fabricação de outros produtos químicos, como o formol, tintas e plásticos. A substância é líquida, inflamável, incolor e tóxica - tornando-a de difícil identificação e capaz de levar a óbito, mesmo quando consumido em pequenas doses.
A substância atinge, diretamente, as enzimas do fígado e, em reação com outras toxinas, como o ácido fórmico, reduz a oxigenação das células e causa uma série de efeitos, como a depressão do sistema nervoso central - através da sonolência, confusão, convulsão e coma - a acidose metabólica, a falência múltipla de órgãos e, até mesmo, a cegueira.
O motivo está na forma como o nervo óptico é afetado. Segundo a oftalmologista diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana, Guimarães, a estrutura conecta os olhos ao cérebro, transmitindo sinais visuais formadores da visão e, quando é atingida, pode, aos poucos, provocar cegueira.
O estudante Diogo Marques, por exemplo, foi uma das vítimas da bebida adulterada. Segundo relato, acordou sem enxergar nada e com uma forte dor de cabeça, após consumir gin com energético. Ele foi internado por três dias, após diagnóstico da presença de metanol no sangue.
Outra vítima foi a designer de interiores, Rhadarani Domingos, ficando cega, após beber três caipirinhas de vodca em uma festa. Ela precisou ser entubada e ainda não recuperou a visão. A expectativa da família é conseguir um tratamento para ela enxergar novamente.
A recomendação para os casos de intoxicação como esses é buscar um atendimento de emergência rapidamente para evitar complicações graves e até morte. Para Juliana, as alterações visuais - como a visão turva, fotofobia, dor ao movimentar os olhos - mal-estar persistente e convulsões são sinais de alerta, sobretudo, quando persistem por mais de 12 horas.
Os sintomas como dor de cabeça, dor abdominal, vômitos, taquicardia, sedação, desinibição e ataxia - ou seja, a perda de coordenação dos movimentos musculares - após ingerir bebidas de procedência desconhecida, também devem ser investigados, independentemente de serem considerados regulares, conforme a quantidade de álcool ingerido.
É importante reforçar a urgência, alertando que, o acúmulo de ácido fórmico no nervo óptico, causa edema, tratado apenas com medicamentos específicos que eliminam a inflamação e devem ser receitados por um oftalmologista. “A automedicação nunca é indicada, uma vez que pode piorar a ocorrência” explica a médica.
A melhor forma para evitar intoxicações por adulteramento de bebidas ou alimentos é através do registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com a presença do lacre de segurança e o selo fiscal.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se