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        O Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH) e suas características, como a desatenção e impulsividade, são muitas vezes, incompreendidos por grande parte da população, apesar da capacidade de impactar profundamente a evolução acadêmica e profissional dos atingidos. Contudo, nos últimos tempos, a Inteligência Artificial (IA) tem sido vista como uma aliada para os portadores.  

Segundo a neurocientista, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, o TDAH é marcado por particularidades que alteram a  comunicação diferenciada entre regiões como o córtex pré-frontal, os gânglios da base e os sistemas dopaminérgicos, impactando diretamente a organização do tempo, o planejamento, a memória de trabalho e a persistência em tarefas de longo prazo. É a partir da compreensão dessa lógica, que a IA pode ser utilizada, através de aplicativos para suporte ao cérebro.

As programações focadas em organização de rotinas, lembretes adaptativos, gestão do tempo, fragmentação de tarefas e priorização cognitiva, permitem que o esforço mental contínuo seja reduzido.

Vale ainda evidenciar que, no campo pedagógico, a IA desafia modelos educacionais rígidos e homogêneos ao adaptar a escola ao modo que diferentes cérebros funcionam e, não, os alunos à escola. Assim, diversas estratégias para melhorar a aprendizagem podem ser aplicadas. “Ao fazer isso, a ferramenta favorece a permanência na tarefa, um grande desafio do grupo”, afirma a especialista.

Dessa forma, quem tem TDAH também passa a lidar com menos sofrimento psíquico, uma vez que a frustração, estresse, ansiedade e quadros depressivos deixam de ser algo recorrente, devido ao aumento da sensação de bem-estar promovido pela percepção que esse indivíduo é, sim, capaz de concluir tarefas e organizar suas obrigações.

Apesar das vantagens, Ângela lembra, que mesmo sendo uma aliada, a IA não deve substituir o acompanhamento profissional, já que o uso excessivo e sem orientação também é  prejudicial.

A inteligência, quando bem utilizada, não substitui o cérebro humano e, sim, apoia e expande a capacidade dele. A verdadeira inovação está em unir ciência, tecnologia e humanidade. Quando a IA respeita a lógica neuronal do TDAH e é integrada com ética e intencionalidade pedagógica, deixa de ser apenas avanço tecnológico e passa a ser instrumento de inclusão, saúde mental e justiça educacional.

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