Pode não parecer, mas a figura da liderança está presente em todos os momentos do cotidiano, até mesmo, no futebol, como é possível acompanhar nos jogos da Copa do Mundo, sendo mais importante do que muitas pessoas realmente imaginam. A liderança é a habilidade de influenciar, inspirar e motivar as pessoas para que possam alcançar um objetivo em comum. Em empresas, por exemplo, muitas vezes, a meta está relacionada às vendas e a produtividade, porém, a função é mais ampla do que buscar o sucesso financeiro. Afinal, também significa a retenção de talentos e desenvolvimento deles, juntamente à criação de um ambiente seguro e saudável.
A especialista em liderança e gestão, palestrante, mentora, consultora organizacional, engenheira e escritora, Sônia Jordão, afirma que a liderança no futebol ainda pode ser vista em cada time, quer seja através da figura do técnico - fora do campo - quanto do capitão - acompanhando os outros jogadores durante os dois tempos, atuando ativamente. A verdade é que técnica e tática são extremamente importantes, entretanto, a capacidade de liderar um grupo, mantendo-o em foco sob pressão, é capaz de fortalecer o conjunto nos momentos de crise da partida.
Contudo, nem sempre uma figura de liderança é capaz de liderar de fato. O atual técnico da seleção brasileira, o italiano Carlo Ancelotti, possui um currículo extenso e carregado de vitórias, apresentando um método que se mostra eficiente e conquista seus jogadores, mas, existem situações opostas.
O ex-técnico do mesmo grupo, Dorival Júnior, em 2024, viveu uma situação bastante constrangedora, quando, na concentração do time para a cobrança de pênaltis na Copa América, foi deixado de fora da “rodinha”, sendo incapaz de compartilhar observações e estratégia. O país foi eliminado da competição logo após essa ocasião e a liderança do técnico foi questionada nacional e internacionalmente.
Outro caso de comando no futebol é o de Marcelo Bielsa, técnico do Uruguai, eliminado ainda na fase de grupos da copa. Apesar de ser considerado um excelente líder tático e estrategista, a gestão dele é considerada rígida e inflexível, a ponto de ser comparado a um ditador. Talvez seja o motivo pelo qual a equipe parecia tão desconectada e insatisfeita durante a competição, a ponto de jogadores importantes o confrontarem nos bastidores.
O papel do líder também é organizar a estrutura do local em que é responsável, como no caso de um árbitro, considerada a autoridade máxima em campo, atuando como gestor de conflitos e mediador, sendo ainda, responsável por tomar decisões e garantir a aplicação justa das regras mediante as ocorrências.
Afinal, o que faz um bom líder? No futebol, as regras são claras, iguais para todos e conhecidas, antes da partida começar, enquanto nas empresas, isso nem sempre acontece.
Para Sônia, é importante ter vontade de aprender e perguntar, sem medo de parecer despreparado. “Existem líderes que presumem que certas informações são tão óbvias que não precisam ser explicadas, contribuindo com muitos erros, conflitos e frustrações”, explica.
Os comandantes bem preparados, não apenas estabelecem regras e, sim, garantem a compreensão de todos e que se sintam parte da cultura empresarial, com liberdade e conforto para perguntar, aprender e contribuir com o crescimento, algo que também deve ser visto no futebol ou em qualquer tipo de esporte.
Bons líderes não são ditadores, a coerção e a força não precisam fazer parte do cotidiano de um profissional qualificado, pois a influência, empatia e comunicação estratégica tem muito mais poder e eficácia no dia-a-dia.
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