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Um levantamento inédito da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentado na quarta-feira (19) na UFRJ, revelou como a fé na política influencia o eleitorado: para 81% dos brasileiros, é indispensável que o postulante a um cargo público acredite em Deus. A exigência é ainda mais expressiva entre os cidadãos com renda de até um salário mínimo, atingindo 89% desse público.
Em contrapartida, nas faixas de renda mais elevadas — entre 10 e 20 salários mínimos —, o índice cai para 57%. Conduzida pelo Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar) da UFF, a pesquisa mostra que 74% dos entrevistados acreditam que a religiosidade torna as pessoas melhores e 82% defendem a formação religiosa nas escolas.
Confiança nas instituições e laicidade
Apesar da forte valorização espiritual, a socióloga Christina Vital (UFF) aponta que isso não se reflete proporcionalmente na confiança nas instituições religiosas. A Igreja Católica lidera o índice de credibilidade no país com 56%, seguida pelas igrejas protestantes (51%) e pelos centros kardecistas (19%).
O estudo também indica que 54% dos ouvidos defendem que o Estado não seja laico, fato atribuído por especialistas à confusão conceitual. Segundo Christina Vital, a população frequentemente desconhece a real definição de laicidade, confundindo a separação entre Igreja e Estado com hostilidade à fé.
Instrumentalização política da religião
Para o pesquisador Michel Gherman (UFRJ/UNLP), os dados expõem a forma como movimentos de extrema-direita usam esses valores. Segundo ele, o avanço conservador não derivou diretamente do crescimento evangélico, mas sim da habilidade de grupos políticos em instrumentalizar o desejo social por ordem e por um resgate do passado.
Gherman ressalta que sete em cada dez candidatos no Rio de Janeiro afirmam crer em conspirações progressistas nas escolas. Paralelamente, o cientista político Lucio Rennó (UnB) lembra que a identificação entre evangélicos e a extrema-direita baseia-se em identidade cultural, pois os eleitores tendem a votar em representantes que se parecem com eles.
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