Um levantamento recente, conduzido por um grupo de trabalho ligado ao Ministério da Educação (MEC), revela que a sobrecarga com os cuidados com os filhos leva mais da metade (54,4%) dos estudantes de graduação a interromper ou abandonar seus cursos. Na pós-graduação, a situação é similar, com 36,4% dos alunos enfrentando o mesmo dilema, o que sublinha uma significativa vulnerabilidade social entre essa população acadêmica.
A pesquisa, que envolveu mais de 7,4 mil participantes, indica que a vasta maioria (86,5%) dos respondentes que são pais ou mães são mulheres, com foco na obtenção do diploma de graduação. O perfil predominante na graduação é de indivíduos com idade média de 33 anos, que frequentam aulas presenciais (92,8%) e, em sua maioria, no período noturno (43,3%).
O estudo detalha ainda o perfil majoritário desses graduandos: 46% são solteiros, e uma expressiva parcela de 60,2% se autodeclara negra (preta e parda). Predominantemente matriculados em instituições públicas federais (79,5%), esses estudantes geralmente têm um único filho (59,6%), residem em lares com três pessoas (39%) e vivem com uma renda familiar de até um salário-mínimo (24,6%).
A segurança alimentar dos dependentes desses alunos é uma das principais preocupações do grupo de trabalho. Nesse contexto, os Restaurantes Universitários (RUs), conhecidos por seus preços acessíveis, emergem como um recurso fundamental para mitigar essa questão.
Entretanto, mais da metade dos estudantes com filhos na graduação (51,0%) e quase metade na pós-graduação (49,3%) afirmam que suas crianças não possuem acesso à alimentação nos RUs. Entre os que têm algum acesso, a gratuidade é rara, sendo reportada por apenas 7,1% dos graduandos e 2,9% dos pós-graduandos.
Os pesquisadores apontam que o acesso pago é um pouco mais comum, atingindo 10,7% na graduação e 9,2% na pós-graduação. Contudo, um dado alarmante é que 30,3% dos graduandos e 38,0% dos pós-graduandos desconhecem se seus filhos têm direito a esse benefício, indicando uma falha na comunicação institucional e na clareza das informações fornecidas pelas universidades.
Renda e vulnerabilidade social
A análise das faixas de renda reforça o quadro de vulnerabilidade social desses alunos. Uma parcela significativa de 16,1% dos estudantes vive sem qualquer rendimento, e outros 14,5% recebem até meio salário-mínimo. Apenas uma pequena minoria, 2,5%, declara ter renda superior a 10 salários-mínimos.
Em relação à rede de apoio, o suporte de familiares e amigos é o mais comum, citado por 43,3% dos participantes. Contudo, para 32,9% dos estudantes, a árdua rotina de conciliar estudos e cuidados com os filhos é uma experiência solitária, sem qualquer auxílio.
Uma fatia muito pequena dos graduandos, 5,9%, consegue arcar com serviços privados como babás. Apenas 7,5% utilizam serviços públicos, e menos de 1% encontra ajuda através de organizações não governamentais (ONGs) e projetos comunitários, lacunas que, segundo os especialistas que produziram o relatório, evidenciam a necessidade de haver políticas públicas para saná-las.
Diferenças no perfil da pós-graduação
No universo da pós-graduação, o perfil dos estudantes apresenta algumas inversões. A maioria (56,1%) se autodeclara branca, em contraste com 42,1% de negros (pretos e pardos), 0,8% indígenas e 0,9% amarelos. O estado civil predominante entre eles é o de casado, com 50,6%.
A pesquisa também indica uma condição econômica mais favorável para os pós-graduandos (especialização, mestrado e doutorado) em comparação com os graduandos. A porcentagem daqueles que sustentam suas famílias com até meio salário-mínimo é de apenas 1,1%. Mais de um terço (38,9%) vive com até cinco salários-mínimos; 23,1% com renda entre cinco e dez salários-mínimos, e 13% com valores acima de dez salários-mínimos. O grupo dos que não têm nenhuma renda é de 3,3%, e 4,8% vivem com até um salário-mínimo.
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