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Campanhas como o "setembro amarelo" apresentam propósitos nobres e urgentes: conscientizar a sociedade sobre a prevenção do suicídio. Contudo, também existe um fantasma silencioso, assolador da economia brasileira, devastando a saúde mental de milhares de empreendedores, sendo raramente considerado pela saúde pública: o suicídio empresarial.
Atrás de cada CNPJ baixado ou em processo de liquidação, existe ainda um CPF sufocado. O "suicídio empresarial" ocorre quando a gestão se torna insustentável, a ponto de consumir todos os recursos do negócio e os bens pessoais do proprietário, pois a falência de um negócio nunca é apenas um evento contábil ou número frio em planilha.
Para a especialista em liderança e gestão, palestrante, mentora, consultora organizacional, engenheira mecânica e escritora, Sônia Jordão, o encerramento das atividades de qualquer empresa é traumático, arrastado por dívidas, processos e frustrações, sendo devastador o impacto psicológico sobre o empresário. Afinal, é a morte de um sonho, a perda da identidade social e, em casos extremos, um gatilho para se atentar contra a própria vida, e as últimas pesquisas sobre a saúde financeira empresarial são alarmantes e pouco discutidas.
Para se ter uma ideia, os levantamentos dos indicadores para inadimplência e falências da Serasa Experian apontam que os pedidos de recuperação judicial e “quebras” registraram altas expressivas, decorrentes dos juros elevados, restrição ao crédito e a desaceleração do consumo. Os dados de junho deste ano mostram que mais de 9 milhões de empresas acumulam dívidas que, somadas, ultrapassam os R$232 bilhões, uma alta de 16,67%, em relação ao mesmo período de 2025.
O cenário mineiro apresenta a mesma dramaticidade. Sônia afirma que o empreendedorismo de pequeno e médio porte é um dos pilares econômicos, porém, os serviços locais estão sucumbindo ao peso de custos operacionais crescentes, à falta de capital de giro e as mudanças do mercado em meio à tecnologia.
O problema é extremamente prejudicial à saúde, porque o cérebro não foi feito para atuar sob pressão contínua. A pressão em garantir a folha de pagamento, o medo do estigma social do fracasso e a cobrança implacável de credores e do fisco causam um ciclo tóxico. Vale incluir ainda que o sono desaparece, o isolamento aumenta e uma paralisia afeta diretamente a capacidade cognitiva para encontrar saídas. Quando o negócio morre, o empreendedor sente que morreu junto.
O cenário só pode ser revertido com a compreensão das causas, como a falta de cultura de gestão preventiva e da confusão entre a saúde do negócio e a vida pessoal. “O gestor tende a empurrar os problemas financeiros com a barriga, recorrendo a empréstimos bancários com juros abusivos para cobrir buracos operacionais, criando uma bola de neve dificilmente controlável”, explica a especialista.
Algumas ações como a separação rígida entre as contas do CPF e CNPJ, o planejamento de fluxo de caixa diário e projetado, a profissionalização e busca de ajuda externa, e a desmistificação do fracasso e saúde mental, são essenciais.
O governo deve se atentar para o fato que cuidar das empresas, promove um ambiente de negócios mais sustentável e propicia suporte emocional aos geradores de emprego, contudo, ainda requer políticas públicas como uma forma profunda de salvar vidas. As falências podem ser superadas, novos negócios podem ser reconstruídos, porém, a vida é um patrimônio irrecuperável.
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