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México vira rota de fuga para brasileiros entrarem nos EUA

Apesar de ser um rota perigosa, brasileiros ainda se arriscam para tentar o sonho americano

México vira rota de fuga para brasileiros entrarem nos EUA
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De acordo com números divulgados pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (US Customs and Border Protection), o número de brasileiros que tentaram entrar de forma ilegal no país cresceu 6,5 vezes no último ano. Entre outubro de 2020 e setembro de 2021, 46.410 imigrantes do Brasil foram deportados. No período anterior, este número era bem menor: 7.161.

A principal rota de entrada continua sendo o país vizinho: o México.

Ainda segundo o órgão do governo norte-americano, a maioria dos brasileiros tentou entrar pelas fronteiras do Arizona (28.538) e da Califórnia (14.266). Mais da metade viajava em família (34.636). Há ainda o registro de cinco menores detidos pela imigração.

 

Joe Biden é mais rígido que Trump

O número excessivo de deportações tem uma explicação.

Segundo Jason De León, presidente do Colibrí Center for Human Rights, uma organização que atua na busca pelos desaparecidos na região, após a derrota de Donald Trump, na eleição presidencial do ano passado, criou-se uma falsa expectativa de que o governo do atual presidente, Joe Biden, seria mais complacente com os imigrantes.

“O aumento de deportações, não apenas de brasileiros, é reflexo de uma combinação de vários fatores. Muitas pessoas pensaram que, depois do governo [de Donald] Trump, ficaria mais fácil cruzar a fronteira e pedir asilo, o que não aconteceu”, disse.

Na semana passada, o governo de Joe Biden deportou, em massa, milhares de haitianos que tentavam entrar ilegalmente nos Estados Unidos.

Muitos desses imigrantes estavam fugindo da violência que toma conta do Haiti, de eventos climáticos e por causa das consequências da pandemia de Covid-19, que teve impactos sanitários e econômicos.

 

Desaparecidos na fronteira

Autoridades norte-americanas calculam que aproximadamente oito mil pessoas estejam desaparecidas entre a fronteira do México e os Estados Unidos. Mas estes números podem ser entre três e sete vezes maior, segundo organizações que atuam na fronteira.

Os atentados do 11 de setembro deixaram as políticas de imigração dos Estados Unidos mais rígidas. E isto faz com que os imigrantes tentem rotas alternativas mais perigosas para viverem o chamado ‘sonho americano’.

A fronteira entre Estados Unidos e México possui mais de 2,5 mil km de extensão, com montanhas, rio, mar e deserto, o que dificulta a travessia e a busca pelos desaparecidos. A falta de registros institucionais e a ausência de compartilhamento de dados entre os dois países tornam a procura ainda mais complicada.

Nos Estados Unidos, não há um órgão que se dedique à procura dos desaparecidos e os dados mais precisos são das deportações. Organizações não governamentais é que trocam informações nas buscas dessas pessoas.

No México, há ainda o problema com os cartéis de tráficos de drogas e armas, que além de controlar a travessia ilegal na fronteira, sequestram imigrantes para o trabalho forçado. De acordo com organizações consultadas, nenhum imigrante entra no território dos cartéis sem pagar imposto e também não cruza para os Estados Unidos sem autorização.

 

Dificuldade em obter dados de brasileiros

O Itamaraty afirmou que não há dados precisos sobre o número de brasileiros que cruzam ilegalmente a fronteira sul dos Estados Unidos.

Em caso de desaparecimento na fronteira entre México e Estados Unidos, organizações civis que atuam na região e o Itamaraty dizem que o primeiro passo deve ser a comunicação ao consulado.

Ainda segundo o governo brasileiro, a busca é por obter o máximo de detalhes sobre as circunstâncias em que a pessoa sumiu, bem como dados pessoais para permitir sua identificação.

Os postos consulares notificam as autoridades imigratórias e policiais locais, como o Serviço de Aduanas e Proteção Fronteiriça (CBP) e o Serviço de Controle de Imigração e Aduanas (ICE), nos Estados Unidos, e o Instituto Nacional de Migración (INM), no México.

 

Esperança em viver o sonho americano

A pergunta que todos fazem é: por que os brasileiros se arriscam tanto para entrar ilegalmente nos Estados Unidos? A resposta está na ponta da língua dos imigrantes: qualidade de vida.

Os recentes anúncios da Casa Branca, de que o governo norte-americano voltaria a emitir green cards e vistos de trabalho, suspensos há quase um ano, aninou os imigrantes brasileiros. E eles têm razão em ficarem animados. Donos de green cards facilitam a entrada de parentes de primeiro grau.

Isso vem atraindo uma multidão à fronteira e reacenderam os planos dos brasileiros, que ainda possuem esperança em viver o chamado ‘sonho americano’.

A estratégia de ingressar com visto de turista e, uma vez no país, ir prolongando a estadia ilegalmente é clássica — e às vezes funciona.

A pessoa compra carro, casa, começa a pagar impostos, e aí contrata um advogado para tentar regularizar sua permanência. É uma loteria, sobre a qual agora se depositam mais fichas.

Estima-se que 1,6 milhão de brasileiros vivem hoje nos Estados Unidos,  sendo a maior parte em Boston e com empregos de baixa remuneração.

Mesmo assim, é mais do que conseguiriam se estivessem morando e trabalhando no Brasil, segundo relatos dos próprios imigrantes.

Um exemplo que pode ser citado é de uma manicure. No Brasil, ela cobraria R$ 40 pelo seu trabalho. Já nos EUA, o preço médio seria de US$ 60 (algo em torno de R$ 350). E muitos acreditam que vale a pena o risco, para atravessar a fronteira, e viver com dignidade na América.

 

Dolarização do patrimônio pode ser a porta de entrada

Mas nem tudo é arriscado e perigoso para você viver o sonho americano. Você pode entrar pela 'porta da frente' nos Estados Unidos.

Existe também a opção de proteger seu patrimônio, em diversificar seus ativos imobiliários e dolarizar parte da sua economia e renda.

Para quem pensa que os imóveis em Orlando são vendidos a preços ‘astronômicos’, Mateus Cabau, que é responsável pela internacionalização da Chalu Imóveis e desenvolvedor de projetos imobiliários em Orlando, relata que muitos deles custam o valor de uma casa em condomínio fechado, em Araraquara.

“A conta é simples: você pode adquirir uma linda casa em Orlando, pelo mesmo preço que você pagaria em um condomínio em Araraquara, por exemplo. Muitos araraquarenses me procuram e essa é uma das principais dúvidas. Eles pensam que Orlando possui somente mansões, com preços exorbitantes. A realidade é bem diferente”, diz Cabau.

"Se as pessoas arriscam a própria vida e pagam fortunas para entrar ilegalmente na América, em busca de dignidade, oportunidade, segurança, renda e outros valores que estão certos que jamais terão no seu país de origem, por que você ainda resiste em proteger seu patrimônio, em diversificar seus ativos imobiliários e dolarizar parte da sua economia e renda? Pense nisso", finaliza Mateus.

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