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A miopia é um problema cada vez mais comum entre crianças e adolescentes. Uma pesquisa publicada no British Journal of Nutrition aponta que a alimentação, com o excesso de consumo de açúcares, também está ligada à condição ou, ao menor risco de desenvolvê-la.

A análise foi realizada com 2.473 participantes nos Estados Unidos, entre 12 e 18 anos, identificando, por exemplo, uma probabilidade 41% menor para desenvolver este erro refrativo, mantendo maior atenção a uma dieta mediterrânea. A mesma é composta por alimentos como frutas, vegetais, grãos, leguminosas, azeite de oliva e consumo de frutos do mar, ricos em ômega 3, enquanto carnes vermelhas, ultraprocessados e açúcares são evitados.

A verdade é que o elevado consumo de carboidratos, ultraprocessados e doces influencia diretamente a circulação sanguínea, a chegada de nutrientes e, claro, o oxigênio no bloco ocular. O processo provoca menor produção de colágeno, alteração no metabolismo e o aumento de enzimas degradantes, tornando a esclera - a parte branca do olho - maleável. A situação facilita o crescimento do olho anormal, considerada a principal característica fisiológica da miopia, pois faz com que a luz não atinja, diretamente, a retina, impedindo enxergar à distância com clareza.

Os estudos estão registrando uma elevação nos diagnósticos de miopia, sendo os jovens, um dos grupos mais atingidos. De acordo com a oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Paula Guimarães, a tecnologia possui uma parcela de culpa nessa situação pelo excesso de tempo em frente às telas. O hábito força os olhos a manterem o foco em objetos muito próximos por longos períodos, causando uma acomodação visual constante. A recomendação é parar a cada 20 minutos para olhar para coisas distantes por 20 segundos, relaxando o músculo ocular.

O costume de passar mais tempo em ambientes fechados, longe do sol que é extremamente importante para a saúde ocular, também compromete a qualidade da visão. “Os raios solares estimulam a liberação de dopamina na retina, ação conhecida por funcionar como um “freio” natural contra o crescimento excessivo do olho, algo que tende a ocorrer também, devido a fatores genéticos e, não apenas, costumes inadequados”, afirma.

A recomendação dos oftalmologistas é atenção dos pais aos hábitos dos filhos e, se necessário, estabelecer limites. Os mesmos também precisam, preferencialmente, manter consultas oculares anuais para avaliar a miopia ou outras condições comprometedoras da qualidade de vida, como por exemplo, na escola, pela incapacidade de ler a matéria escrita no quadro e sintomas como dores de cabeça,  influenciando diretamente no comportamento e performance.

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