Em audiência realizada nesta quinta-feira, o médico argentino Leopoldo Luque refutou as acusações de negligência relacionadas ao óbito de Diego Maradona. O depoimento ocorreu no âmbito de um novo processo judicial em San Isidro, na Argentina, onde outros seis profissionais de saúde também figuram como réus.
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"Sou inocente e sinto muito pela perda dele", declarou Luque, que atuava como médico particular do craque. O neurocirurgião é uma das figuras centrais no tribunal federal localizado nos arredores de Buenos Aires.
Detalhes sobre a morte de Maradona
O eterno camisa 10 da Argentina faleceu em 25 de novembro de 2020, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Na ocasião, Maradona estava em uma residência temporária após passar por uma cirurgia para tratar um coágulo no cérebro. Ele tinha 60 anos.
O grupo de réus responde por homicídio simples com dolo eventual, crime caracterizado quando há consciência do risco, mas a conduta é mantida. Caso sejam condenados, a pena pode chegar a 25 anos de reclusão.
Este novo ciclo jurídico teve início na última terça-feira. A necessidade de um segundo julgamento surgiu após a anulação do primeiro processo por irregularidades na conduta de um dos magistrados.
Luque contesta acusações de negligência
Durante seu pronunciamento, Luque afirmou que não era o responsável por coordenar o tratamento pós-operatório em domicílio. Segundo ele, sua especialidade em neurocirurgia de coluna o afastava das decisões cotidianas da equipe de enfermagem.
O médico contestou a tese de que centralizava todas as decisões médicas, reforçando que seu papel na saúde do ídolo mundial era restrito à sua área de especialização.
Por outro lado, o promotor Patricio Ferrari descreveu o atendimento doméstico como amador. Ele argumentou que houve um abandono deliberado do paciente, o que teria selado o destino trágico de Maradona.
Luque também ressaltou que o ex-atleta não utilizava remédios para o coração desde 2007, época em que os cuidados eram de responsabilidade de Alfredo Cahe, já falecido.
Cahe, que acompanhou Maradona por décadas, já havia feito críticas públicas à forma como o paciente foi tratado em seus momentos finais.
Outro ponto rebatido pelo réu foi o laudo pericial que sugeria uma agonia de 12 horas antes do óbito. Luque classificou a hipótese de edema pulmonar prolongado como algo sem precedentes.
Sobre imagens que circularam mostrando o corpo do ídolo inchado, o médico justificou que o estado físico decorreu das intensas manobras de ressuscitação cardíaca.
Ele explicou que as tentativas de reanimação duraram cerca de uma hora e foram repetidas a pedido dos familiares, o que naturalmente altera a aparência do corpo.
Além de Luque, o banco dos réus inclui a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Díaz, os médicos Nancy Forlini e Pedro Di Spagna, além de coordenadores e enfermeiros como Mariano Perroni e Ricardo Almirón.
O depoimento de Luque foi autorizado pelos juízes após um debate acalorado com a acusação. Ele optou por falar ao tribunal, mas não se submeteu ao interrogatório direto dos magistrados.
A sessão foi encerrada com o adiamento de outras oitivas para a próxima semana. Entre os próximos depoimentos esperados está o de Giannina Maradona, filha do jogador, que anteriormente já havia criticado a qualidade dos cuidados médicos recebidos pelo pai.
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