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A Constituição Brasileira garante o direito pleno dos portadores de deficiência (PCDs) a terem acesso ao trabalho, porém, ainda assim, essa minoria sofre com a desvalorização e desigualdade, ganhando até 30% menos. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parte do informativo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”, apontam as maiores dificuldades em diferentes âmbitos.

A média salarial para PCDs é R$2,053, enquanto o rendimento médio dos outros fica em torno de R$2,890. A diferença foi identificada em todas as áreas profissionais, sendo a maior disparidade na indústria.

A poeta, filósofa e advogada, Beth Guedes, PCD com uma deformidade física, recorda que a prática é considerada ilegal e proibida. Entretanto, a fiscalização não dá conta de averiguar, permitindo a ocorrência de  milhares de casos devido a fatores sociais e o preconceito enraizado.

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O capacitismo é um problema diário enfrentado por esse grupo, presente no ambiente profissional. Contudo, é importante entender que se trata de indivíduos capazes e, se exercem função igual ao colega, devem receber a mesma quantia, pois existe superioridade.

As estatísticas do IBGE apontam 29% de empregados com deficiência, contra 55,8% dos que não possuem qualquer tipo de incapacidade, mesmo após a criação da lei de cotas, de 1991.

A legislação determina que corporações com cem empregados devem  empregar 2% deles. “O maior problema da lei está no fato de excluir pequenos negócios, tornando a contratação de PCDs uma questão de responsabilidade social para garantir a inclusão com oportunidade ao grupo”, afirma Beth.

Lamentavelmente, a lei ainda possibilita outras controvérsias: muitas companhias contratam apenas para evitar as  multas administrativas e autuações do Ministério do Trabalho. Vale alertar  também que as vagas são ocupações mais simples, com menor contribuição à Previdência e menos direitos de proteção social.

Para a poeta, a lei brasileira é clara, determinando que não deve existir diferença entre pessoas com e sem deficiência. Assim, é essencial ter consciência dos obstáculos enfrentados pelo grupo.  

Desde a criação da lei, 34 anos já se passaram e, sim, avanços são notáveis. A evolução se deve à resiliência de quem busca equidade, entretanto, muito deve ser melhorado. A expectativa é cada vez mais pessoas conscientes  da necessidade da inclusão, entendendo que igualdade vai muito além da contratação com a sociedade melhor compreendendo a diversidade e rompendo as amarras do preconceito.