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A Agência Lupa divulgou um levantamento inédito revelando que 87,3% dos conteúdos virais sobre desinformação em saúde analisados entre março de 2017 e junho deste ano eram falsos. O estudo integra o relatório Raio-X da Desinformação em Saúde, realizado com o apoio da Afya, e examinou 764 materiais, identificando 667 publicações inverídicas.
Conforme o documento, a média anual foi de quase 72 boatos disseminados velozmente pela internet. Esse volume disparou drasticamente durante a crise sanitária da covid-19, período em que a Lupa checou cerca de dez vezes mais postagens do que nos três anos anteriores.
Estratégias como a simulação de falsa autoridade médica representaram 21,6% dos casos mapeados. O uso de tom alarmista e o apelo ao medo responderam por 17% das ocorrências, seguidos pela distorção de dados científicos e promessas de curas milagrosas.
Para Cristina Tardáguila, fundadora da entidade, a principal dificuldade reside no fato de os criadores de boatos imitarem o vocabulário de especialistas para conferir legitimidade às postagens.
Gustavo Meirelles, vice-presidente da Afya, destaca que os profissionais da área precisam orientar os pacientes em meio ao excesso de dados sem respaldo científico na internet.
Desinformação sobre vacina continua
O monitoramento mostrou que o volume de boatos sobre imunizantes saltou de 9,1% no período pré-pandemia para patamares superiores a 30% nos anos seguintes. Das 244 alegações sobre vacinas investigadas, 86,9% foram desmentidas.
O relatório também apontou que figuras públicas foram citadas em pelo menos 142 postagens, embora isso não indique que tenham endossado os boatos.
Canais de circulação
O aplicativo WhatsApp liderou as ocorrências associadas à propagação de mentiras, presente em mais de 70% das 498 checagens avaliadas no recorte. O Facebook apareceu em seguida, com 25,3% dos registros, enquanto o Instagram somou 7%.
Os pesquisadores ressalvam que o canal de atendimento da própria agência no aplicativo de mensagens pode influenciar esses números, sem necessariamente apontar a origem exclusiva das fraudes.
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