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*** Biláh Bernardes, escritora, poeta, psicopedagoga e  vice-presidente da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (Ajeb-MG)

          Celebrar o mês de outubro é, antes de tudo, parar o relógio implacável dos corredores escolares para escutar o pulsar da sala de aula. Entre diários de classe digitais, planilhas de metas e cobranças sistêmicas, corre-se o risco de se perder o elemento mais humano e vibrante da educação: o encontro genuíno entre vidas. É justamente nesse cenário que meu manifesto poético e prático “Ensinâncias e Aprendências” surge como um bálsamo necessário. Com 35 anos de experiência na alfabetização, além de 14 anos atendendo dificuldades de aprendizagem em terapia psicopedagógica, lancei essa obra para educadores focados em redescobrir a paixão pelo ensinar.

    O livro traz também um texto premiado pelo cobiçado troféu Paulo Freire,  transbordando a vivência prática de quem respirou o pó do giz e a realidade do chão da escola diariamente. As 109 páginas propõem uma reflexão profunda além dos manuais pedagógicos tradicionais, muitas vezes frios e distantes da dinâmica real estudantil. Trata-se de um registro humanizado de afetos, relacionamentos e superações, dentro e fora do espaço físico escolar,  lembrando que educar é, sobretudo, um ato de profunda coragem relacional.

O relato é um resgate poético da essência docente, ideal para ser lido e meditado por quem faz da educação sua missão de vida. Estruturado de forma leve, funciona como uma ponte sólida entre a técnica pedagógica rigorosa, a importância da clareza de objetivos e a delicadeza da poesia.

A primeira parte apresenta relatos genuínos do exercício profissional que descortinam a urgência de enxergar o educando em sua totalidade. O olhar da autora recai, de forma muito sensível, sobre aqueles que enfrentam barreiras severas na escrita ou no desenvolvimento cognitivo, provando que a inclusão verdadeira começa na escuta atenta das dificuldades alheias.

Um dos pontos mais altos e corajosos da obra reside na autocrítica para analisar os próprios acertos e tropeços pedagógicos. Numa profissão historicamente marcada pela exigência de infalibilidade, o erro é humanizado. O registro permite o distanciamento necessário, convertendo o erro em uma poderosa ferramenta de abertura para novas ideias e caminhos pedagógicos inovadores.

A seção final “Psicopedagogia em Poesia” transiciona numa linguagem lírica singular, traduzindo em versos as angústias, as incertezas, mas também as pequenas e grandiosas vitórias diárias do processo de aprendizagem.

O importante é que no mês dedicado aos professores, seja possível discutir e trocar experiências, cumprindo um papel político e emocional inestimável: devolver ao educador a dignidade de sua prática diária e convidar a sociedade a repensar a escola, não apenas como fábrica de índices, mas como um espaço vivo de afeto, escuta sensível e transformação humana.

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