A fotofobia é um problema que afeta a sensibilidade ocular à luz, podendo causar dor, lacrimejamento e até mesmo olhos vermelhos. A condição está relacionada a problemas diversos com origem oftalmológica, neurológica ou psiquiátrica. As celebridades como Bono Vox, Elton John, Ozzy Osbourne e Johnny Depp são exemplos de pessoas que usam óculos com lentes coloridas para lidar com a fotofobia. As lentes filtram a frequência luminosa causadora dos sintomas e, portanto, as cores selecionadas são específicas para cada caso. Na verdade, são filtros espectrais coloridos por natureza.
Os filtros de lentes coloridas ou filtros espectrais já são conhecidos há muitos anos e também são usados para melhorar a performance em esportes e tratar doenças que causam baixa visão, como degeneração macular e retinose pigmentar. Os profissionais que dirigem à noite se beneficiam da melhora do contraste, assim como as pessoas com dificuldade para percepção de cores, como daltônicos, podem encontrar filtros que melhorem sua capacidade de distinguir as cores.
No entanto, é importante destacar que o uso indiscriminado e sem orientação médica desses óculos causa danos inesperados, já que a luz azul afeta a biossincronicidade, ou relógio biológico humano, que sincroniza o dia e a noite com o metabolismo corporal. O uso sem prescrição específica, pode comprometer a percepção de movimento e afetar a visão em ambientes de pouca luz e alterar a qualidade do sono e secreção endócrina.
Johnny Depp, que nasceu com uma condição que o torna praticamente cego do olho esquerdo, usa filtros espectrais de cores azuladas, em conjunto com a correção da miopia, para enxergar melhor e com maior conforto. A necessidade desses óculos tornou o trabalho dele mais difícil em vários momentos, mas, quando possível, o acessório faz parte do guarda-roupa do personagem, ajudando a minimizar os efeitos do problema. Os filtros podem também ser colocados em lentes de contato.
Geralmente, quem tem fotofobia não consegue olhar diretamente para a luz e prefere ambientes mais escuros para aliviar o incômodo, lacrimejamento, ardência ocular, piscar excessivo, cansaço progressivo que leva a cefaleias e - ou enxaquecas. Os óculos escuros também são populares nesses casos, mas, de acordo com a Associação Médica Americana, tornam os sintomas ainda mais intensos, ao se retomar o contato com a luminosidade, com efeito cumulativo agravante ao longo dos anos.
A fotofobia pode estar isolada ou associada a causas como a síndrome dos olhos secos, conjuntivite, inflamação da íris (uveíte), doenças da córnea, retina e glaucoma, influenciadas pela genética, uso de medicamentos e até mesmo pelo excesso de tempo na frente das telas de computador e celular. A causa desses sintomas ainda pode estar no processamento visual, já que pessoas com fotofobia apresentam vias alternativas, em que a percepção de luz está ligada à dor, comprometendo o uso da visão nas atividades diárias.
A recomendação é consultar um oftalmologista para determinar se a fotofobia está relacionada à visão, aos olhos ou a causas neurológicas. Assim, o tratamento será direcionado de forma mais adequada, com filtros espectrais, óculos para correção refracional ou outros tratamentos específicos, conforme cada caso.
*** Márcia Reis Guimarães, oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães
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