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Terça-feira, 09 de Junho 2026
Notícias/Saúde

VÍCIO EM APOSTAS PROVOCA PROBLEMAS DE SAÚDE MENTAL E FINANCEIROS

Apenas em Belo Horizonte, um em cada quatro apostadores já se endividaram para conseguir jogar

VÍCIO EM APOSTAS PROVOCA PROBLEMAS DE SAÚDE MENTAL E FINANCEIROS
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          Os portais de apostas se tornaram um sucesso no Brasil, porém, a empolgação acarretou uma série de problemas, como por exemplo, uma perda econômica anual de aproximadamente R$38,8 bilhões. Apenas em Belo Horizonte, um em cada quatro apostadores já se endividaram para conseguir jogar. A situação estimula reflexões importantes, como, quando o controle se torna um descontrole.

Os resultados constam nas  pesquisas “A saúde dos brasileiros em jogo”, feitas pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e “Plataformas On-line” da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG). Os levantamentos focaram em compreender os efeitos desse novo “hobby” que acaba, consequentemente, influenciando fatores como a saúde mental, destacando como devem ser melhor controlados.

Uma análise do IEPS também apontou que, em apenas seis meses, o Brasil registrou mais de 17,7 milhões de apostadores e os apostadores não param de crescer. Ao explorar a realidade belo-horizontina, a Fecomércio MG alerta que 81,8% dos entrevistados nunca realizaram apostas, enquanto os outros 18,2% se dividem entre quem já apostou, mas não faz mais (8,5%) e joga com frequência (9,7%). 

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Até 42,5% dos belo-horizontinos adictos afirmaram que a principal motivação está no lazer e entretenimento, seguida da intenção de ganhar dinheiro, confirmada por 30%. Já aproximadamente 20%, admitiram ser viciados, uma realidade que pode ser ainda maior, já que não é possível afirmar se todos os entrevistados falaram a verdade com vergonha por assumir o vício.

O levantamento na capital mineira também revelou que 12% dos entrevistados deixaram de pagar alguma conta para apostar em sites e aplicativos. É a partir de ações como essa que as dificuldades começam, uma vez que, quando os indivíduos não conseguem se conter, começam a gastar muito além da receita, como as reservas financeiras, vendem objetos e a própria casa e, até mesmo, se envolvem com agiotas por causa do vício.

É por esse motivo que, desde outubro, os beneficiários do Bolsa Família e do BPC são impedidos de apostar nas “bets”, afinal, o auxílio é para ajudar em  despesas básicas da família. O Tribunal de Contas da União (TCU) destacou que, apenas em janeiro de 2025, mais de R$3,7 bilhões foram transferidos para casas de apostas. 

Porque os jogos causam tanta dependência? De acordo com a PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, o motivo está numa combinação de fatores, envolvendo a mente, com a liberação do hormônio do prazer (dopamina), a emoção, adrenalina, ilusão de controle, otimismo e o desejo pelo retorno financeiro rápido e sem qualquer tipo de esforço. Assim, torna-se quase inevitável apostar uma vez, vencer e não querer jogar novamente.

A situação torna os problemas de saúde mental inevitáveis, afetando, não apenas o apostador, como toda a família, que, de repente, se encontra em uma realidade econômica  com difícil superação. “Os casos levam ao estresse crônico, crises de ansiedade, depressão, suicídio, isolamento social e outras mudanças comportamentais - como a agitação e falta de sono - capazes de também afetar o desempenho no trabalho, levando ao afastamento da função e até ao desemprego”, explica a especialista.

A compulsão pelos jogos é, inclusive, um dos motivos para centenas de divórcios. O endividamento afeta a estrutura e planejamento familiar, tornando a relação insustentável pela falta de confiança, bem-estar e segurança. Para Ângela, a melhor forma para abandonar o vício em apostas está na busca por atendimento profissional, ou seja, de um psicólogo ou psiquiatra, preparado para ouvir, acolher e auxiliar em ações para acabar com a dependência. 

Vale recordar que as apostas online no Brasil foram oficialmente liberadas ainda em 2025. Contudo, antes mesmo, já apresentavam uma série de problemas, como as ocorrências de fraude no futebol. Apesar da liberação, o governo deve analisar mais firmemente as regras, prevenindo ainda mais endividamento da população e desgaste emocional. 

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