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A violência contra os professores brasileiros segue crescendo, conforme pesquisa do Centro do Professorado Paulista (CPP). O levantamento registrou que 65% dos entrevistados afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão em sala de aula ou dentro do ambiente escolar.
No total, 1.144 professores participaram da pesquisa e, apesar de restrita ao estado, reflete a realidade nacional. Afinal, o Brasil lidera o ranking da Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2024, sobre a violência contra educadores. Na ocasião, mais de 280 mil profissionais foram entrevistados em 55 países.
A PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, recorda que nos últimos meses, diversos casos foram noticiados, como, por exemplo, o da professora da cidade paulista de São José dos Campos que encontrou uma lâmina de vidro colocada por alunos em seu copo de água.
Trata apenas uma das milhares de ocorrências, envolvendo diferentes tipos de violência. A pesquisa do CPP apontou que o tipo verbal é o mais comum, correspondendo a 71% das situações, seguido pelo psicológico e moral (58%), institucional (27%) e física (19%).
As ações provocam uma série de problemas, como estresse, ansiedade severa, síndrome do pânico, depressão e síndrome de burnout. Para se ter uma ideia, 2025 apresentou o maior resultado histórico de benefícios concedidos devido ao burnout: 7.595, contra 823, em 2021, ou seja, uma elevação de 823%.
A situação é grave e de solução complexa, preocupando os professores. Afinal, Ângela afirma que apesar de extremamente importante, há anos, a profissão segue desvalorizada em diferentes âmbitos.
Os dados do levantamento do Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Itaú Social, mostram que menos de 40% dos alunos valorizam os professores. No total, 21 mil escolas públicas participaram do levantamento, contabilizando mais de 2 milhões de estudantes do 6° ao 9° ano do ensino fundamental.
Vale alertar que a violência praticada nas escolas também replica a realidade familiar, uma vez que os jovens tendem a repetir o que vivem em casa.
O Senado aprovou o aumento das penas para crimes contra educadores e, dependendo do caso, a pena é ampliada para até dois terços ou aplicada em dobro. O crime de lesão corporal comum pode chegar a cinco anos de reclusão, em vez de um ano, como previsto na pena atual. O Projeto de Lei precisa ser analisado novamente pelos deputados, antes de ser sancionado.
Entretanto, mesmo com a possível elevação da pena, os professores devem cuidar da saúde mental. “O tratamento é essencial e não pode ser menosprezado, porque a ausência agrava a situação, causando afastamento, aposentadoria precoce e, até mesmo, o suicídio”, reforça a especialista.
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