Uma em cada três crianças e adolescentes brasileiros estão acima do peso, conforme o Ministério da Saúde. Após um ano de pandemia, com aulas online e crianças em casa por muito mais tempo na frente do computador, os especialistas temem um cenário mais grave de obesidade infantil. Os números são preocupantes e a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que, se a situação não mudar até 2030, o Brasil ocupará o quinto lugar no ranking dos países com maior número de crianças e adolescentes obesos. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM-MG) – faz um alerta sobre os índices preocupantes e os cuidados necessários para evitar o problema.
O Sisvan (2019) apontou que 16,33% das crianças brasileiras, entre cinco e dez anos, estão com sobrepeso; 9,38%, com obesidade e 5,22%, com obesidade grave. Em relação aos adolescentes, 18% apresentam sobrepeso; 9,53% são obesos e 3,98% têm obesidade grave. De acordo com o Ministério da Saúde, crianças acima do peso possuem 75% mais chance de se tornar adolescentes obesos, sendo que 89% desses podem ser adultos obesos.
A obesidade infantil é uma doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal na criança e no adolescente. Cada vez mais, crianças com sobrepeso chegam aos consultórios apresentando alterações no colesterol, na glicemia, nos níveis de triglicérides, na pressão arterial, sofrendo com a baixa autoestima e com o bullying na escola.
A mudança para um estilo de vida saudável dos pequenos, com a participação ativa dos pais, é o primeiro passo para reverter esse cenário. O tratamento deve começar pelo exemplo familiar, estimulando a prática de exercícios físicos, facilitando o acesso a alimentos saudáveis e limitando o tempo dos pequenos em frente à televisão, celulares, tablets e computadores. A dica é que a atividade física seja incorporada, naturalmente, à rotina com brincadeiras que estimulem os movimentos.
As pesquisas também apontam que as refeições em família são essenciais para evitar o ganho de peso, pois as crianças prestam mais atenção nos alimentos ingeridos, o que não acontece quando estão comendo em frente à televisão. Uma outra dica é incentivar as crianças a participarem do preparo das refeições para a descoberta de novos sabores e texturas, estimulando uma alimentação mais adequada.
Os pais devem priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, carnes magras, leite e derivados magros. Já, os ultraprocessados (industrializados), como biscoitos recheados, salgadinhos e outros, devem ser evitados, pois são ricos em calorias, sódio e gordura saturada.
Os riscos da obesidade infantil são silenciosos e podem desencadear vários tipos de problemas. Os números realmente são preocupantes, mas, com a ajuda dos pais, as crianças e os adolescentes podem ter o peso ideal e de uma maneira saudável, contribuindo, significativamente, para uma melhor qualidade de vida e para a redução da obesidade infantil no Brasil.