*** Josualdo Euzébio Silva - Médico cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular

Os aneurismas são silenciosos e fatais. Grande parte da população já ouviu falar sobre os aneurismas cerebrais, porém, poucos conhecem o tipo comprometedor da artéria atrás do joelho, capaz de colocar o membro em risco.

Os aneurismas decorrem da dilatação anormal de uma das artérias, como a do joelho - chamada de poplítea. A condição que mais atinge a população é a cerebral, mas a poplítea é considerada a mais frequente entre o grupo de caráter periférico.

Publicidade

Leia Também:

A doença possui diferentes origens, incluindo genética. As alterações no DNA provocam a forma congênita, influenciando ainda, a estrutura da parede dos vasos ao longo da vida. O  risco é maior quando as artérias estão fragilizadas.

Além disso, diferentes condições de saúde estimulam a formação de um aneurisma - como a aterosclerose e hipertensão. Tratam-se de doenças que ainda podem ser adquiridas ao longo da vida, sobretudo, entre pessoas com hábitos  inadequados.

Assim como ocorre em outros locais do corpo, a dilatação da artéria poplítea tende a ser assintomática, com os primeiros sinais após a formação de trombos. Os coágulos provocam a interrupção do fluxo sanguíneo, sendo um dos maiores riscos.  Em estágio mais avançado, é comum dor intensa no local, palidez, formigamento, frio nos pés e perda de força na perna.

Os sintomas devem ser tratados como emergência médica para evitar complicações, como a amputação do membro, justamente pelo bloqueio da circulação local, causando uma isquemia severa que altera o fluxo natural.

Uma característica dos aneurismas, devido à falta de sintomas, é que muitas pessoas morrem sem saber da condição.  A recomendação é manter consultas periódicas com um cirurgião vascular, para um check-up completo da saúde dos vasos e do sistema circulatório. Quem tem casos na família deve ter ainda mais atenção.

Os cuidados iniciam após a confirmação do diagnóstico, envolvendo mudanças conservadoras com o uso de medicamentos, acompanhamento profissional, prática de atividade física moderada, alimentação saudável e abandono do tabaco e bebidas alcoólicas. Vale alertar que o cigarro é extremamente prejudicial à saúde dos vasos, graças aos componentes do produto.

Os casos mais graves necessitam de cirurgia. Os modernos procedimentos vasculares são opções minimamente invasivas com tratamento endovascular. A técnica elimina o aneurisma com stents revestidos, restaurando o fluxo sanguíneo e proporcionando recuperação mais rápida, menor tempo de internação e maior qualidade de vida.