A alfabetização infantil no Brasil é um assunto sério e preocupante, sobretudo, porque a pandemia afetou profundamente a aprendizagem em período adequado. O Ministério da Educação (MEC) divulgou novos dados, apresentando uma realidade nacional, melhor que em 2023, contudo, ainda abaixo da meta. O estado do Ceará apresentou o melhor percentual, 85,3%, superando a expectativa nacional para 2030 e, Minas Gerais está com o terceiro maior índice, 72,1%. Goiás, Espírito Santo e Paraná acompanham os mineiros, sendo os outros únicos estados a superarem os 70%. Em compensação, oito estados registraram média inferior a 50%, sendo a Bahia, o pior deles, com apenas 36%.
As informações são decorrentes das provas aplicadas em 2024, destacando que 59,2% das crianças podem ser consideradas alfabetizadas na idade correta, até o 2° ano do ensino fundamental para escolas da rede pública.
O plano do governo, através do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, era alcançar 60%, porém, conforme explicou o Ministro da Educação, Camilo Santana, as fortes chuvas no Rio Grande do Sul, em abril e maio, afetaram os índices de alfabetização no estado, abaixando a média de 63,4%, de 2023, para 44,7%, em 2024.
Para a PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, a alfabetização infantil é considerada um dos pilares mais importantes da educação, pois é a base para o início do aprendizado, propiciando que os jovens possam expandir horizontes e explorarem novas áreas de conhecimento.
Contudo, apesar de tão importante, o Brasil ainda apresenta uma série de desafios para elevar o número de crianças alfabetizadas. Alguns deles são a desigualdade social; a falta de recursos; a infraestrutura escolar; a necessidade de os professores manterem uma formação continuada para aprimorar conhecimento e técnicas, conforme a demanda de cada geração estudantil e a falta de dados mais abrangentes, uma vez que Roraima, por exemplo, não participou do levantamento.
O programa governamental Compromisso Nacional Criança Alfabetizada quer prestar assistência aos estados com índices mais baixos para avançar e, no mínimo, chegar à porcentagem de 50%. “A situação requer aprofundamento em problemas antigos, mas que ainda persistem em alguns estados”, explica Ângela.
A expectativa do MEC para este ano é elevar a taxa para 64%. O objetivo requer trabalho árduo, contudo, essencial para permitir que as crianças brasileiras tenham conhecimentos básicos de leitura e escrita, em período adequado, proporcionando abertura de portas para o exercício dos direitos e deveres como cidadãs.