No governo Michel Temer em outubro de 2016, a Petrobras passou a calcular o preço dos combustíveis com base no mercado internacional. Neste período também se iniciou o repasse com variações com maior frequência aos consumidores.
Agora, cinco anos depois, os combustíveis no Brasil acumularam alta de mais de 30%, este aumento está acima da inflação. A empresa têm registrado um índice de lucro altíssimo, tendo atingido em 2021 o valor de R$101 bilhões.
Desse total de lucros distribuídos, R$ 37 bilhões foram para o BNDS e o governo federal; R$ 63,9 bilhões para acionistas privados, e destes, R$ 41 bilhões para acionistas que não são brasileiros. A Petrobras reteve cerca de R$7 bilhões do lucro total.
Dentro desta perspectiva quero trazer a reflexão sobre o que cada um de nós tem a ver com isso.
Quando o preço do combustível aumenta desta forma, não fica só difícil abastecer o carro. Longe disso. A qualidade de vida, o acesso a bens e serviços básicos como alimento, transporte, moradia e vestimenta também ficam prejudicados. Tudo sobe. Aliados a alta dos preços, temos a ausência de valorização do salário mínimo, e uma política baseada em governar para quem não vive no Brasil às custas de quem amarga fome e dor pelas ruas brasileiras.
Os combustíveis impactam diretamente até no preço dos alimentos do assalariado.
Neste cenário todo de lucros para os poderosos e ônus para o povo, o posto de combustível é o que abruptamente menos ganha na comercialização do litro de combustíveis. O pequeno empresário local, ganha tão pouco que o montante de todo aquele lucro acima mencionado acaba não ficando nas cidades, fazendo mais uma vez que tudo envolto aos preços altos do combustível fique insustentável.
Se o caos não fosse o suficiente, a Associação Nacional das Empresas de transportes Públicos anunciou que a tarifa de ônibus pode subir 7,5% com a alta do diesel, fazendo com que mais uma vez o povo mais pobre seja onerado.
Há a ponderação de que como o conflito no Leste Europeu não dá sinais de término no curto prazo, o preço do petróleo pode continuar a disparar. Tudo isso porque nós seguimos importando petróleo mesmo produzindo mais do que consumimos.
É urgente que o governo Federal tome providências e pare de passar a responsabilidade aos estados. É urgente que o governo Federal se preocupe com o acesso do povo brasileiro aos bens de consumo básicos à sobrevivência. O acesso ao alimento precisa ser garantido, assim como o acesso ao teto, ao transporte, ao vestuário. A inércia do governo é assassina diante da alta de preços dos combustíveis e da miserabilidade imposta aos mais vulneráveis. Exijamos providências, tomemos consciência.