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As instituições financeiras receberam um prazo de cinco dias úteis para informar ao governo quais dívidas pretendem disponibilizar na nova etapa do programa Desenrola. A determinação consta em uma portaria veiculada em edição extraordinária do Diário Oficial da União.

Essa fase inicial serve para mensurar o interesse dos credores e o volume de débitos existentes por faixa de renda. O Ministério da Fazenda estima que o mercado possa apresentar até R$ 90 bilhões em créditos antigos.

Apesar da cifra expressiva, o custo máximo previsto para a aquisição de todo esse montante pela União seria de R$ 9 bilhões. Esse teto considera o desconto obrigatório mínimo de 90% estipulado pelas regras da iniciativa governamental.

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Importante ressaltar que esta convocação não é voltada para os consumidores. No momento, o procedimento restringe-se à habilitação de bancos e fundos interessados em vender suas carteiras de crédito ao poder público.

Como funcionará o processo

O chamamento público é direcionado a companhias bancárias, outras instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios. Para avançar, os credores precisam comprovar que as carteiras atendem aos critérios estabelecidos e aceitar o deságio mínimo.

O cronograma oficial compreende as seguintes fases:

  • Chamamento: publicação do edital para manifestação de interesse dos credores;
  • Apresentação das carteiras: prazo de cinco dias úteis para informar os débitos elegíveis;
  • Definição do leilão: análise do volume apresentado, com separação por faixas de renda;
  • Compra das dívidas: realização do leilão, previsto para novembro, com possibilidade de adiamento para o início de dezembro.

O planejamento oficial busca priorizar devedores de menor renda e microempreendedores individuais. Contudo, caso a oferta para esse público fique abaixo da expectativa, a União poderá direcionar recursos para adquirir débitos de outras faixas.

Custos e estimativas

A expectativa inicial aponta para a apresentação de até R$ 90 bilhões em débitos. Com a exigência de um deságio mínimo de 90%, o governo desembolsaria no máximo 10% do valor nominal das carteiras negociadas.

A administração federal não tem a obrigação de adquirir a totalidade dos ativos ofertados. A meta é utilizar um orçamento estipulado para estimular a concorrência e conseguir abatimentos ainda maiores no leilão.

Dependendo da adesão do setor financeiro, o percentual de desconto exigido pelo governo poderá alcançar patamares entre 93% e 95% durante a disputa.

Quais débitos participam

O Desenrola 3.0 foi instituído por medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro. O modelo viabiliza a aquisição de carteiras antigas para facilitar a posterior renegociação com os cidadãos.

Entre os requisitos exigidos para a inclusão, destacam-se:

  • Dívidas de até R$ 10 mil, considerando o valor original do débito;
  • Atrasos entre 720 e 1.645 dias, o equivalente a aproximadamente dois anos e quatro anos e meio;
  • Débitos de cartão de crédito, incluindo as modalidades rotativa e parcelada, e de crédito pessoal sem consignação em folha;
  • Possibilidade de inclusão de dívidas elegíveis de pessoas físicas e MEIs, conforme as regras do programa.

No anúncio oficial, a equipe econômica calculou que o universo total de débitos elegíveis poderia alcançar R$ 150 bilhões. A cifra de R$ 90 bilhões divulgada agora reflete apenas o volume estimado para a primeira chamada.

Próximos passos para renegociação

Concluído o leilão, os créditos adquiridos pelo governo serão ofertados aos devedores com repasse dos descontos obtidos. O cidadão poderá optar pela quitação à vista ou pelo parcelamento do saldo.

As diretrizes operacionais definitivas, prazos e taxas de juros aplicáveis aos parcelamentos ainda precisam ser regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional.

Por fim, os clientes com pendências financeiras devem aguardar novas orientações e não precisam procurar os estabelecimentos bancários nesta fase inicial de cadastramento de carteiras.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil