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Sábado, 06 de Junho 2026
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Biópsia líquida é novo avanço para controle e cura do câncer

Tendência é que o exame pouco invasivo substitua em várias situações a análise do tumor obtido por meio de cirurgia

Biópsia líquida é novo avanço para controle e cura do câncer
Crédito: Matheus Campos
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A oncologia de precisão ganhou uma importante aliada: é a biópsia líquida, que detecta a presença de materiais tumorais por meio da análise de uma amostra de sangue, colhida como um simples exame igual aos comuns de laboratório. Trata-se de um avanço em comparação à atual biópsia feita em fração do tumor. A novidade apresenta grandes vantagens, sendo quatro as mais importantes:  

- É minimamente invasiva;  

- Dá agilidade ao diagnóstico – que até então só era possível por meio de biópsia de um fragmento do tumor retirado através de cirurgia; 

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- Revela a presença de câncer mais precocemente, aumentando as chances de cura; 

- Viabiliza um tratamento medicamentoso mais assertivo.       

O oncologista Paulo Pizão explica que a tecnologia analisa o DNA tumoral circulante (ctDNA), uma vez que nos vasos sanguíneos de pacientes com câncer circulam várias substâncias ou biomarcadores derivados de tumores. E não é só no sangue que o fenótipo maligno está presente, mas a biópsia líquida também pode ser feita em outros líquidos do corpo, como o humor aquoso, saliva, ascite, líquido pleural, líquor e urina. 

“A biópsia líquida é uma técnica não invasiva que identifica as substâncias liberadas pelas células cancerosas em quantidades mínimas permitindo a detecção da malignidade em um estágio inicial, o que pode salvar vidas”, salienta o médico. 

O Dr. Pizão enfatiza que a biópsia líquida também pode ser usada para monitorar o progresso do tratamento do câncer. Como o procedimento permite a detecção de mutações genéticas e outras alterações no DNA, os médicos podem avaliar a eficácia do tratamento e fazer ajustes, se necessário, com muito mais rapidez e segurança. “A técnica pode ajudar a personalizar o cuidado e garantir que o paciente receba a terapia mais adequada para sua condição", destaca. 

Devido à possibilidade de realizar o exame diversas vezes, a biópsia líquida viabiliza o acompanhamento do efeito das terapias quase em tempo real. “Com isso, o médico pode prever se o paciente precisará de tratamento adicional e se desenvolverá resistência a certos medicamentos, apontando os que são pertinentes a cada tipo de tumor”, enfatiza Pizão. 

O oncologista frisa que não está concluída a eficácia do exame para todos os tipos de câncer, que são mais de uma centena deles. Uma das principais evidências de que o exame é eficaz se deu por meio de um estudo japonês referente ao câncer de cólon e reto feito com mais de 5 mil pessoas e divulgado no final de 2022. No entanto, em várias partes do mundo, incluindo o Brasil, já são comercializados os kits para coleta do líquido para o exame, que, por enquanto, é enviado para análise nos Estados Unidos devido à ainda reduzida demanda.  

O exame é de alto custo e ainda não é coberto pelos planos de saúde, mas a tendência, conforme o Dr. Pizão, é que esse cenário mude no futuro.  

De acordo com a pesquisa no Japão, a biópsia líquida aponta a existência de elementos cancerosos na corrente sanguínea com o tumor até 10 mil vezes menor em tamanho do que a aferição obtida nos exames de imagem convencionais. “Para quem está tratando um câncer, a biópsia líquida parece ser só mais um exame de sangue. O oncologista, porém, recebe dados valiosos que podem transformar a condução da terapia”.  

Segundo o Dr. Pizão, ao identificar o tipo e características específicas do câncer, a prescrição de medicamentos, cirurgia e outros tratamentos tendem a ser mais assertivos. “No caso de fármacos, há as terapias-alvo, com moléculas desenvolvidas para atacar tipos bem particulares de tumores. Quando uma mutação é relevada na amostra de DNA, é possível usar medicação direcionada para ela”, destaca.  

Evitando a quimioterapia 

Outra função bastante importante da biópsia líquida, de acordo com o Dr. Pizão, é a aplicação para verificar se há resíduo de células cancerosas após a extração cirúrgica do tumor.  

“É comum, depois da cirurgia, passar por quimioterapia ou radioterapia a fim de inibir a chance de haver partículas tumorais que podem facilitar a volta do câncer. Quem faz a biópsia líquida – e o resultado não indica a presença de material residual do tumor – pode não precisar dessas sessões que debilitam o paciente”, explica o oncologista. 

Sobre o Dr. Paulo Pizão

O oncologista Dr. Paulo Eduardo Pizão é um profissional global. Por ter trabalho como docente em faculdade, como pesquisador na indústria farmacêutica, gestor em instituições de saúde e por atuar no atendimento clínico, tem uma visão geral do setor e conhece o mecanismo desse segmento. 

Suas atividades profissionais atuais: 

Coordena a equipe médica da Oncologia Vera Cruz Hospital; é pesquisador no Centro de Pesquisa Clínica São Lucas (PUC-Campinas) e coordena a disciplina de Oncologia Clínica no Curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, Campinas-SP. 

Suas especializações: 

Especialista em Oncologia Clínica pela Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO); Especialista em Cancerologia (Oncologia Clínica) pela Associação Médica Brasileira; PhD em Medicina (Oncologia) pela Universidade Livre de Amsterdam, Holanda.

Comunicação AMZ

Publicado por:

Comunicação AMZ

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