A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um terço da população mundial seja inativa, enquanto o Brasil, seria o país mais sedentário da América Latina e o quinto no mundo. Os números são alarmantes e preocupantes, uma vez que o ócio é responsável por uma série de problemas, comprometendo, inclusive, a saúde vascular.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são ainda mais detalhados sobre a situação, registrando 47% dos adultos como sedentários e, lamentavelmente, um número ainda pior entre os jovens: 84%.
As varizes são uma das patologias vasculares mais comuns, decorrentes do sedentarismo. De acordo com o cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Josualdo Euzébio Silva, as veias longas, tortuosas, coloridas e dilatadas, espalhadas pelas pernas, atingem ambos os sexos, ocorrendo, principalmente, entre elas e, apesar de parecerem inofensivas, provocam uma série de riscos à saúde, evoluindo para úlceras varicosas e, até mesmo, trombose.
A condição acontece pela circulação ineficiente, dificultando o retorno ao coração. “O sangue fica parado, aumentando a pressão e exigindo mais espaço, formando assim, as finas veias”.
A trombose é outro risco das varizes, pois a formação de coágulos sanguíneos é mais recorrente nos membros inferiores. A patologia tem princípio silencioso, porém, pode apresentar sintomas com a evolução, como dor ao andar, inchaço e alterações na textura, cor e temperatura.
A grande consequência da trombose está na embolia pulmonar, devido ao desprendimento do trombo da origem, seguindo em direção aos pulmões, causando a obstrução local e, consequentemente, ocasionando a falta de oxigenação no órgão, tosse com ou sem a presença de sangue, alterações nos batimentos, sudorese e dor no peito. Josualdo recorda que o problema é considerado fatal, sendo essencial, procurar um hospital rapidamente.
Os diversos motivos requerem uma vida mais ativa para prevenção. A circulação do sangue pelos membros inferiores é mais lenta, naturalmente, mas a prática de atividade física propicia uma melhora. Afinal, a panturrilha possui o músculo sóleo, considerado o segundo coração do corpo humano, impulsionando o sangue para cima.
A recomendação da OMS é a prática semanal de 150 minutos de prática física, o equivalente a 30 minutos, durante cinco dias da semana. As caminhadas, academia e natação são algumas das indicações, entretanto, a verdadeira recomendação é praticar atividades com as quais se tenha mais afinidade, ampliando a intensidade aos poucos.
Outra indicação para manter uma qualidade de vida está nos hábitos alimentares, Josualdo reforça a importância de adotar uma dieta saudável e abandonar o fumo, “uma vez que os componentes são extremamente prejudiciais aos vasos sanguíneos”.