O ceratocone é uma das doenças oculares pouco conhecidas e com capacidade para comprometer a qualidade da visão. A campanha “Junho Violeta” é promovida durante este mês para conscientizar a população sobre os riscos dessa condição, que pode levar à necessidade de um transplante ou à cegueira.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) aponta que quase triplicou o número de pessoas na fila de espera por um transplante de córnea, entre 2014 e 2024, passando de 10.734 para 28.937. Minas Gerais é um dos estados com a maior lista de espera, juntamente com São Paulo e Rio de Janeiro, somando mais de 12,5 mil indivíduos. O ceratocone é considerado uma das principais causas para essa evolução.
A oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, explica que a patologia danifica a córnea, estrutura transparente na frente do globo ocular, cuja espessura é reduzida, aos poucos, deixando-a em um formato similar a um cone. Em alguns casos, considerados mais graves, a córnea está tão empurrada para fora, que é possível observar o formato cônico com a pessoa de perfil.
Alguns hábitos diários podem ser extremamente prejudiciais à saúde, entre eles, o ato de coçar os olhos. Apesar da ação ser considerada bastante prazerosa, é preciso entender que a fricção e a força utilizadas estimulam o rompimento das fibras de colágeno, enfraquecendo a córnea e, consequentemente, provocando a deformação.
Os riscos também são considerados maiores entre adolescentes e jovens adultos. O período começa aos 10 anos e se estende até os 25, podendo progredir ainda até os 40. “Vale recordar que o ceratocone pode acometer apenas um olho, apesar de ser o tipo menos comum, sendo sua evolução, muitas vezes, assimétrica” afirma Juliana.
Conhecendo os fatores de risco, é preciso atenção aos principais sintomas, como o surgimento ou elevação do grau de miopia e astigmatismo, a visão dupla e desfocada, a fotossensibilidade, dificuldade para enxergar durante o período da noite e fazer atividades anteriormente consideradas simples, como dirigir e ler.
Quanto mais rápido o diagnóstico, melhores são as alternativas para tratamento. A avaliação médica analisa os exames tradicionais em consultório e o histórico individual. Os exames complementares podem ser indicados, como a topografia computadorizada, para definir o grau de comprometimento da membrana.
Apesar de ser um problema sério, os casos considerados mais leves podem ser resolvidos com o uso de óculos. Um pequeno avanço já indica a necessidade de lentes de contato com ajuste à superfície do globo ocular.
Os níveis intermediários requerem soluções como os aneis intracorneanos e o crosslinking, uma técnica para endurecer a parte traseira da córnea. Ambas têm a função de adiar uma possível cirurgia, recomendada apenas quando não existe outro recurso. A oftalmologista alerta que o agravamento pode culminar na cegueira e requer paciência, uma vez que muitas pessoas estão, infelizmente, numa fila que segue crescendo, à espera de doadores.