O Comitê Municipal de Enfrentamento à Crise Emocional e Prevenção do Suicídio realizou sua primeira reunião de trabalho nesta terça-feira (1º), reunindo cerca de 30 representantes de órgãos públicos, instituições privadas, universidades e sociedade civil. O encontro marcou o início das atividades deste comitê intersetorial, instituído pela Prefeitura com o objetivo de integrar esforços na promoção da saúde mental e prevenção ao suicídio no município.

A reunião teve como foco principal a integração dos membros, o alinhamento de prioridades e a identificação dos desafios enfrentados pela rede de apoio. Um ponto crucial discutido foi a necessidade de aprimorar a notificação de tentativas de suicídio e violências autoprovocadas, uma vez que a subnotificação dificulta o dimensionamento real do problema e o planejamento de políticas públicas eficazes.

Celina Garrido, subsecretária de Atenção Especializada da Secretaria Municipal da Saúde, ressaltou a importância da notificação como ferramenta essencial para a prevenção. "Notificar é produzir informação para o cuidado, para a prevenção e para o planejamento das ações do município", afirmou. Ela destacou que dados precisos permitem identificar grupos vulneráveis e direcionar a atuação da rede de forma mais efetiva.

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Como encaminhamento, o comitê planeja um cronograma de capacitações para qualificar as notificações, envolvendo diversos pontos da rede. Haverá também uma aproximação com ambulatórios-escola de universidades e a qualificação de profissionais da Educação e Assistência Social, considerados estratégicos pela sua presença territorial.

Qualificação da escuta e integração de políticas

Outro ponto definido foi a realização de uma capacitação para a qualificação da escuta dos profissionais da rede, organizada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) e prevista para outubro. O objetivo é ampliar a capacidade de reconhecimento de sinais de sofrimento emocional e de acolhimento a pessoas em risco.

O comitê também atuará na integração de políticas públicas, reconhecendo que o enfrentamento à crise emocional e a prevenção do suicídio transcendem os serviços de saúde mental especializados. Educação, Assistência Social e outros serviços territoriais desempenham um papel fundamental na identificação precoce de vulnerabilidades e na construção de uma rede de proteção.

A próxima reunião está agendada para 15 de setembro e abordará a organização do fluxo de atendimento da rede municipal para situações de crise emocional e tentativas de suicídio. A discussão visa definir o papel de cada serviço, as portas de entrada, os encaminhamentos e a continuidade do cuidado.

Com reuniões periódicas e ações de trabalho, o Comitê busca consolidar uma política municipal permanente de enfrentamento à crise emocional e prevenção do suicídio, fortalecendo a articulação da rede, a qualificação profissional e as estratégias de prevenção.