Os medicamentos Ozempic e Saxenda se tornaram muito populares entre as pessoas interessadas em perder peso de maneira mais acelerada, evitando somente alterações na alimentação e prática de atividade física. A princípio, os últimos estudos indicaram que os componentes desses remédios também são responsáveis por uma rara condição ocular, porém, uma nova pesquisa mostrou resultados positivos para a prevenção do glaucoma. O glaucoma é a principal causa mundial de cegueira irreversível, atingindo, aproximadamente de 1% a 2% da população brasileira, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
O estudo da MedSci apontou efeitos ligados ao emagrecimento e controle da glicemia, propósito original. O receptor de GLP-1, hormônio produzido pelo intestino, controlando os níveis de açúcar e o apetite, também teria influência na redução do risco para desenvolver glaucoma primário de ângulo aberto entre portadores de diabetes tipo 2.
Para se ter ideia, os resultados revelaram que o risco relativo de glaucoma se tornou entre 41% a 50% menor em indivíduos que usaram esse componente. Os participantes foram analisados em períodos de um a três anos, sendo combinados aqueles que receberam agonistas do receptor GLP-1 e aqueles que tomavam metformina - antidiabético, também indicado para o tipo 2.
A principal conclusão é que os medicamentos exercem efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, restringindo a pressão intraocular e o risco de glaucoma. Os fatores atuam diretamente sobre a pressão local e o nervo óptico, responsável pela ligação do globo ocular ao cérebro.
De acordo com o CBO, o envelhecimento aumenta os riscos de desenvolvimento do glaucoma, principalmente, aos 40 anos - 2% maior - e, depois dos 70 anos - 6% maior. A oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, alerta que, além de pessoas com diabetes, as pessoas pretas também apresentam probabilidade acima desse percentual, assim como indivíduos com altos graus de miopia e quem sofre com enxaqueca, estresse, colesterol elevado, alterações arteriais ou usa remédios inadequadamente.
O principal alerta está na característica assintomática, pois, a evolução da doença causa a perda da visão periférica, provocando tropeços pela diminuição do campo visual. Os oftalmologistas recomendam manter uma rotina anual de consulta para acompanhamento, sendo possível diagnosticar o início do problema, proporcionando mais alternativas para tratamento.
Juliana recorda que o glaucoma não tem cura, significando a necessidade de cuidados pela vida. “Normalmente, o tratamento usa diferentes colírios, aplicados ao longo do dia. Entretanto, a inovadora cirurgia de SLT já permite abandonar parte ou a totalidade desse uso, mesmo que sejam necessárias avaliações para monitorar a doença”.
Os resultados do estudo abrem espaço para maiores investigações, assim como também, a possibilidade de os médicos da oftalmologia e endocrinologia conseguirem adaptar o tratamento para diabetes tipo 2, indicando um medicamento com eficácia dupla.