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CONTEÚDO VIOLENTO E CHANTAGEM EMOCIONAL MARCAM CASO DE ADOLESCENTE QUE ASSASSINOU FAMÍLIA E NÃO TEM REMORSO

A adolescência precisa de um adulto para ser regulada

CONTEÚDO VIOLENTO E CHANTAGEM EMOCIONAL MARCAM CASO DE ADOLESCENTE QUE ASSASSINOU FAMÍLIA E NÃO TEM REMORSO
Ângela Mathylde
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O caso do adolescente brasileiro, que matou os pais e o irmão de 3 anos, mobilizou o país pela crueldade e os motivos para tamanha violência.  Posteriormente, foi descoberto que a namorada - de 15 anos - planejava o mesmo, e, agora, ambos estão presos. 

O crime teria sido premeditado, a partir da proibição dos pais dele de se encontrar com a namorada virtual, residente em Mato Grosso, enquanto ele, 14 anos, estava no Rio de Janeiro. Os dois já se conheciam há seis anos, devido a jogos online, até que, no último ano, as coisas teriam ficado mais sérias, despertando o interesse.

A polícia informou que a ação foi inspirada em um jogo de videogame, conhecido por eles e, apesar de não o jogarem, usavam o nome dos personagens para se referir aos familiares. As conversas entre os dois eram focadas em assuntos violentos, através do consumo desse tipo de conteúdo na internet, relacionado à temáticas de crimes familiares, uso de armas, luvas para não deixar as digitais e, até mesmo, maneiras para ocultar corpos.

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Os efeitos dos “games” no cotidiano dos adolescentes, há muito tempo, é uma polêmica em discussão e, infelizmente, ainda sem um consenso. Algumas pessoas são contra esse tipo de entretenimento, sobretudo jogos violentos, extremamente prejudiciais para a saúde mental, estimulando a agressividade e influenciando a adoção de hábitos inadequados. Outros afirmam que esses jogos não têm capacidade para afetar a vida real dessa maneira.

Uma análise importante está na relação da forma como o adolescente foi influenciado e pressionado pela namorada. Ela teria sugerido que o garoto tomasse uma atitude, mostrando que “era homem”, para vê-la, algo considerado pela polícia como chantagem emocional.

Durante toda a ação, ela o acompanhou, dando instruções sobre como proceder e, no final, expressou orgulho. Já ele, afirmou que “faria tudo o que ela mandasse”. Para a PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, a chantagem é um tipo de comportamento manipulador para controlar alguém através de ameaças, culpa ou medo, explorando sentimentos da vítima para conseguir o que se deseja. 

O sentimento de culpa e a necessidade constante de aprovação são sinais frequentes, sentidos pelas vítimas, enquanto as reações desproporcionais, quando não se consegue o que deseja e o uso do passado são indícios que o chantagista está insatisfeito, deixando o outro inseguro para mantê-lo sob controle. 

Ângela explica que a adolescência precisa de um adulto para ser regulada. Em um mundo tão tecnológico, os pais devem estar cada vez mais atentos aos interesses e comportamentos dos filhos. Pode ser difícil iniciar uma conversa, mas criar um ambiente seguro garante aos adolescentes, maior conforto para que compartilhem informações. 

Muitos pais têm medo de invadirem a privacidade, contudo, vigiar como a internet está sendo usada, principalmente por menores de idade, não deve ser considerada uma apoderação, e sim, uma forma de protegê-los de conteúdos considerados impróprios, e até mesmo, pessoas mal intencionadas. Os pais precisam entender que afeto não significa deixar tudo passar e que educação sem regras é uma combinação explosiva.

"Limite também é amor e educar é frustrar, uma emoção importante para o desenvolvimento do grupo, que segundo a neurociências, ainda não possui regulação emocional, julgamento moral e sentimentos de empatia completamente formados nesta fase, devido ao córtex pré frontal" afirma a especialista.

Os pais não devem desejar que os filhos tenham atitudes que ainda não possuem capacidade para ter, ou seja, devem oferecer apoio. A frustração sem elaboração é problemática e a ausência do remorso não deve ser considerada normal.

O acompanhamento psicológico também é sempre uma opção, sendo extremamente eficiente para controlar casos considerados mais simples aos mais extremos, como esse. 

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