Ler é um dos hábitos mais antigos e tradicionais no mundo, mesmo que por muito tempo, apenas uma pequena parcela da população conseguisse acesso ao material e tivesse formação para interpretar as palavras e mensagens escritas. No decorrer dos anos, as condições foram melhorando, mas a verdade é que ainda existe um longo caminho a ser percorrido para a democratização da leitura.
Quantas pessoas você conhece com o hábito de ler e consumir livros com frequência? Geralmente, poucas e, é possível perceber esse fato nas estatísticas, como a que apontou 44% dos brasileiros sem o costume de ler e que 30% nunca compraram um único livro na vida. Por outro lado, uma pesquisa da Retratos da Literatura no Brasil indicou que mais de cem milhões de brasileiros se dedicam à leitura, sendo que o conteúdo da bíblia e jornais são os mais consumidos. Infelizmente, a média de leitura nacional anual ainda é de apenas 4 livros, enquanto em outros países, como a França, o número seria cinco vezes maior, com 21 livros.
Segundo a idealizadora e diretora da Fliti (Feira Literária de Tiradentes), Cristina Figueiredo, vários fatores colaboram para esses baixos números brasileiros. O primeiro deles está no custo do material, induzindo o surgimento de outras barreiras. O reajuste no valor de livros foi notícia em diversos jornais neste semestre, chegando até a 8%, provocando uma consequente queda nas vendas, quando comparadas aos anos anteriores. As situações como a inflação e o alto custo de produção, considerando a compra dos direitos autorais, materiais como o papel com algumas variações de preço, são outros fatores que complicaram o mercado.
A escola se torna um dos principais espaços para fomentar o interesse pela leitura, principalmente, entre as crianças em fase de alfabetização e que devem praticar a habilidade de ler para aprimorá-la. Porém, ainda é preciso pensar para além do ambiente escolar. Após a escola, como os jovens apaixonados por livros, mas com uma realidade financeira mais apertada, terão acesso à leitura?
Para Cristina, com certeza, uma das soluções está nos eventos literários, como as bienais, envolvendo os alunos das redes pública e particular de ensino e suas famílias. Os projetos como a Feira Literária de Tiradentes (Fliti), de 25 a 29 de outubro, em Tiradentes, são exemplos de iniciativas a serem seguidas.