Os brasileiros já sabem que a combinação de chuva e calor é perfeita para a proliferação do mosquito aedes aegypti e, consequentemente, a dengue com seus efeitos perigosos também para a visão. Em Belo Horizonte, os diagnósticos cresceram 264% no estado, em apenas um mês. Os dados da Agência Brasil apontam mais de 57 mil diagnósticos mineiros, atrás apenas de São Paulo.
De acordo com a oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, os sintomas são as manchas avermelhadas, dores no corpo e articulações, febre alta, náuseas, vômitos e mal-estar constante, porém, poucas pessoas sabem que a condição pode comprometer a saúde ocular. A principal questão está na queda do número de plaquetas, causando problemas como a inflamação da fóvea, do nervo óptico e hemorragias em diferentes regiões do globo ocular.
A fóvea é a região central da retina, sendo considerada o problema mais comum nos casos de dengue, apresentando baixo risco. O sintoma envolve a presença de uma mancha vermelha no olho e pode provocar inchaço, hemorragias e variação no nervo óptico.
O nervo óptico liga o olho ao cérebro, sendo que o risco elevado está na neurite óptica, considerada bastante dolorosa. Aos poucos, a infecção impede a transmissão de informações entre os órgãos, diminuindo o campo de visão, levando a uma perda total ou parcial. A condição acontece durante ou depois da dengue.
O risco da hemorragia está no caráter silencioso. Juliana explica que, a evolução sem os devidos cuidados, paulatinamente, afeta locais como “a retina, conjuntiva ou o vítreo, essenciais para a formação da visão e, claro, a qualidade, sendo possível levar à cegueira”.
A melhor prevenção para quem tem dengue é consultar um oftalmologista, rapidamente, prevenindo os estágios irreversíveis. A população deve eliminar os focos do mosquito, assim como, se proteger com roupas cobrindo as pernas e braços, optando por usar repelente e telas mosquiteiras nas janelas.
A dengue é a arbovirose brasileira mais comum, frequente nesta época do ano, exigindo ainda mais cuidados para evitar sequelas e, claro, fatalidades. Para se ter ideia, em apenas duas semanas, a capital mineira registrou um crescimento de 160% dos óbitos, chegando a 13, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Outras 41 ocorrências ainda estão em investigação.
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