Milhares de brasileiros necessitam usar óculos de grau, sendo que quem não quer ou o acha desagradável, muitas vezes, opta pelas lentes de contato. O problema é que as lentes requerem cuidados especiais, devido ao elevado risco de provocar infecção, que pode levar à cegueira. Recentemente, a dentista belorizontina Nicole Géo revelou em suas redes sociais que perdeu a visão de um dos olhos, em 2021, em decorrência do uso inapropriado das lentes de contato e a infecção por um parasita que atacou a córnea.
Ela começou a sentir dores muito fortes, mas os olhos não apresentaram qualquer sinal visível que algo estava errado. Após 15 dias, desde o início do incômodo, o olho estava completamente vermelho e já não era mais capaz de enxergar. Foram vários tratamentos com remédios e colírios, mais de 20 cirurgias, incluindo um transplante de córnea para alívio dos sintomas. No momento, ela está na fila à espera de uma doação para o terceiro transplante.
Nicole foi infectada por um protozoário de vida livre (AVL), chamado Acanthamoeba, encontrado em ambientes com água, sejam naturais e limpas, como rios, ou piscinas, água da torneira e até no ar, poeira e mucosa nasal, sendo, na maioria das vezes, considerado algo acidental.
Segundo a oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Paula Guimarães, qualquer indivíduo corre um risco potencial de adquirir uma infecção por acanthamoeba, mas aqueles que fazem o uso das lentes são as vítimas mais frequentes, sobretudo se fazem uso prolongado das mesmas.
O protozoário se alimenta de proteínas e, por isso, se agarra ao material das lentes, facilitando a aderência, notadamente, se forem gelatinosas. Posteriormente, ao serem colocadas sobre o olho, a acanthamoeba se transfere para a córnea e passa a se alimentar dela.
A falta de cuidados é considerada a principal origem do problema. A recomendação é retirar a lente diariamente para limpeza. Contudo, também é preciso ter atenção à solução salina de diluição caseira ou não preservada para guardar as lentes, porque podem conter o protozoário.
Paula adverte que em caso da percepção de incômodos, como a dor ocular que segue para a cabeça, ambas consideradas intensas, sensibilidade à luz, visão desfocada, vermelhidão, sensação de um corpo estranho dentro do olho e a lacrimação excessiva, é necessário suspender o uso e se dirigir a um consultório oftalmológico rapidamente.
O transplante de córnea pode ser indicado, desde que o caso se enquadre em problemas que afetem a integridade do olho, como defeitos que coloquem a função ocular em risco, melhorando assim, a visão. De acordo com dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a fila de espera para o procedimento conta com mais de 24 mil pacientes, sendo considerado um dos mais populares.