O médico Yussif Ali Mere Jr., presidente da Fehoesp-Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, declarou nesta quinta-feira, 26/5, que a rede privada tem condições de atender ao chamamento do governo paulista para o mutirão de cirurgias apresentado na quarta-feira, 25, mas não acredita que o prazo estipulado para a ação seja suficiente para zerar a fila de pacientes que aguardam procedimentos cirúrgicos, nem para planejamento por parte dos hospitais.
A fila no Estado é de aproximadamente 540 mil cirurgias e cerca de 17.500 na região de Ribeirão Preto. “A rede privada, segundo o presidente da Fehoesp, realiza cerca de 25 mil cirurgias/mês e está preparada para triplicar este atendimento”, comentou o médico. Porém, ele defende que o programa, que prevê pagamento de duas tabelas SUS para incentivar a rede privada a aderir ao mutirão, seja permanente.
Para o executivo, os hospitais que atendem SUS serão estimulados com a proposta de receberem em dobro para cada procedimento realizado. “Não sei se os valores oferecidos cobrirão os custos dos hospitais mais caros, mas à iniciativa privada cabe uma parcela de colaboração com a saúde pública”, comentou.
O mutirão de cirurgias deve aumentar o atendimento/acesso para o usuário SUS, além de promover agilidade contribuindo significativamente para a diminuição das filas. Mas o presidente da Fehoesp acredita que o prazo – de junho a outubro/2022 – não seja suficiente para planejamento dos trabalhos. Ainda assim, há horários ociosos nos centros cirúrgicos nos períodos vespertino e noturno e que poderão ser utilizados pelos hospitais neste programa.
Apesar do pagamento em dobro oferecido aos hospitais que aderirem ao mutirão, a ação deve diminuir custos para o sistema. “Cirurgias represadas aumentam custos com cuidados paliativos aos pacientes em espera, agravam a saúde exigindo tratamentos que poderiam ser evitados, aumentam a quantidade de visitas aos serviços de saúde; isso quando não geram sequelas que podem ser incapacitantes e irreversíveis ou encurtam o tempo de vida do paciente, sem contar ainda com o sofrimento do paciente e familiares”, explicou o presidente da Fehoesp. “Não são apenas 540 mil pessoas na fila no Estado; são os familiares em desespero, os custos com medicamentos, as ausências ou afastamentos do trabalho ou escola, aposentadorias precoces, faltas do trabalho entre os familiares cuidadores e uma cadeia de dificuldades e custos para as pessoas e para o SUS. Por tudo isso, a proposta é muito boa, mas precisa ser permanente assim como é a parceria da rede privada com o SUS para os serviços de hemodiálise”, finaliza Ali Mere Jr.